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MEU ETERNO AMOR A
CAMOCIM
Quando pararem todos os relógios,
Todas as bússolas perderem
os tinos;
Quando forem em vão os
menológios,
E os dias silenciosos sem
meninos,
Quando se desbotarem os
necrológios,
E se calarem para sempre os
sinos;
Quando as traças comerem os
eucológios,
E a Morte completar nossos
destinos,
Na solidão da Natureza
morta,
Virá bater, à noite, em
minha porta,
U'a saudade cruel que
não tem fim!
E eu, na brancura óssea
derradeira,
Tendo de mim apenas a
caveira,
Hei de te amar ainda,
Camocim!
In:
Poesia Alguma -1997
RBSotero
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