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Inicia-se uma nova era
e com ela também se assumem novas posturas. A educação passa a
ser vista, definitivamente, com o respeito e verdadeira importância
que ela merece. É a era da tendência Crítico-Social dos Conteúdos,
que já não se limita mais a questionar somente os próprios!
Criticam-se também as Instituições, professores e alunos.
Paradigmas antigos sucumbem dando espaços a paradigmas emergentes,
muito mais sintonizados com a nova era!
Mas, afinal de contas,
considerando-se o ensino-aprendizagem, o que realmente mudou? É
esta a oportunidade de abordar as questões discutidas na adaptação
do Projeto Político-Pedagógico da Escola de Ensino Fundamental
General Antônio da Silva Campos em Camocim.
O Professor
José Augusto
Junior,
dinâmico e questionado diretor deste estabelecimento escolar, mais
uma vez Prêmio-Gestão do estado, foi categórico: "Quem não
estiver disposto a abandonar antigos paradigmas que reforçam o
ensino magistral apresentem, de imediato, seu pedido de transferência.
Educação frontal centralizada nesta escola está morta e
enterrada!"
E agora seu Zé? O diretor, armado com profundas
teses de Jussara Hoffman e Bernardo Toro, coloca definitivamente
abaixo o ensino tradicional, outrora ferramenta preciosa que nos
formou. Afinal o que realmente mudou? Em que se amparam os grandes
teóricos da educação moderna para romper definitivamente com o
velho sistema? Vamos buscar apoio na própria afirmativa de Toro:
"Quando os livros eram raros e caros, o conhecimento era
localizado em zonas muito distanciadas. Não havia comunicação de
conhecimentos como hoje. Era necessário formar um educador que
conhecesse tudo; era preciso centrar todo conhecimento em uma só
pessoa. Tudo era muito oneroso". Bernardo Toro está certo! Com
o advento dos avanços científicos atuais, o conhecimento, mesmo no
interior do Ceará, aqui mesmo em nosso município, pode ser
facilmente acessado! Qualquer família de classe média possui, a
preço relativamente pequeno, um canal de tv por assinatura com
canais do tipo Discovery Chanel, Mundo, Cl@sse ou similar!
Estes mesmos aparelhos rompem as fronteiras internacionais, violam
distâncias físicas e colocam nas nossas barbas canais de tv de
quaisquer partes do mundo, desnudando, assim, Culturas nunca vistas
até então pelo cidadão comum. O computador, hoje presente na
maioria das casas de classe média e algumas escolas, forma a
gigantesca teia (WWW) que interliga Universidades e toda uma serie
de sites do mundo todo num banquete de conhecimentos nunca vistos.
Livros, enciclopédias e Cds para uso de multimídias, lotados de
informações sobre todo tipo de conhecimento, são regularmente
oferecidos nas portas de nossas casas a preços acessíveis. Dentro
desta fartura de informações e conhecimentos, o papel do professor
como retentor mestre dos conteúdos sai definitivamente do palco
pedagógico e dá lugar à imagem do Educador. O Educador,
verdadeira profissão daquele que se dedica ao magistério, pois, dar
aula nada mais é do que um procedimento, uma estratégia usada pelo
"professor". Nesta função de Educador, o
pedagogo, assume definitivamente o seu papel de preparar cidadãos críticos
e capazes de interagirem para criar uma sociedade mais justa, não
se limitando somente à docência..
O processo da avaliação também
se adapta a esta nova realidade. O aluno, ser que deveria guardar em
sua mente a grande massa de conhecimentos para seu uso e repasse
para as futuras gerações, tem, de repente, sua mente descarregada
desta tarefa horrível! O cérebro do aluno assume sua verdadeira e
nata função, que é a de raciocinar! E os conhecimentos? Somente
ficam na mente os que são usados no dia-a-dia. Os conhecimentos não
usados a mente se encarrega de arquivar ou apagar para dar ao cérebro
a liberdade de examinar e aprender algo mais importante! Ao
avaliador resta o teste para saber se seu aluno sabe onde localizar
e como usar o conhecimento na solução de problemas no dia-a-dia.
Está definitivamente derrubada a tese decoreba!
Estive matutando a respeito e
descobri que tudo que aprendi ao longo de minha vida e que não foi
usado estava irremediavelmente perdido! Que pena! Quantas noites de
sono perdidas nas vésperas de malditas provas de vestibulares, também
à beira da queda, por não avaliar a real capacidade de raciocínio
e o conhecimento de ninguém!
Sinto que, com estes novos paradigmas
emergentes, somados às cobranças de Entidades Internacionais de
cunho financeiro e de Direitos Humanos, o Brasil que tem, juntamente
com a Colômbia, o menor tempo útil de aprendizagem do mundo, passe
a dar não só mais tempo aos seus alunos, como também a capacitação
de seus professores a fim de se adequarem às novas realidades.("Ensinamos
hoje o que aprendemos ontem, para quem vai viver amanhã..."
Roberto Dornal) Estes profissionais que, somados, chegam ao fantástico
número de dois
milhões de trabalhadores que dedicam sua vida ao magistério,
presentes em todos os municípios, distribuídos em todo o território
nacional e com remuneração insignificante, parodiada pelo
personagem do Chico Anízio (Prof. Raimundo), tem nas mãos os
destinos de nossos filhos que podem seguir em frente, numa educação
de qualidade, criando um Brasil grande, ou excluídos do processo
por rotulações oriundas de uma educação ultrapassada,
engrossando as fileiras daqueles que castigam a sociedade nas
ruelas, becos e favelas das nossas grandes cidades.
RPires

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