O Ninho do Poeta

 

 

(À este refúgio, onde a poesia e o poeta entrelaçam-se: palavras, mãos e olhares em indizível harmonia)

 


Anuncias-te em meio ao rugir do mar
Espalhando as cores dos teus olhos
Pela imensidão da natureza que te abraça
Em tuas pálpebras, o tempo não tem pressa
Espreguiça-se na rede dos sonhos
Ninado pelos lençóis do infinito
Entrelaças o silêncio das tuas mãos
À espuma das ondas que te acaricia
É o vento, tua concha de sorrisos e lágrimas
Boca dos teus sopros e rumores.


Contemplas auroras e poentes
Tão íntima que és dos astros e do céu.
Ofereces colo para a inspiração do poeta,
Quando te beijam os primeiros raios de sol
Acordas letras e versos irisados
E do alto do penhasco, faz-te porto
Embalando a vida, em idas e vindas


Estrelas brincam de tocar tua face
Buscas ouvi-las, como já disse Bilac
E tonta de tanta luz, abandonas-te
Levantas o dossel e te enfeitas de brilho
Sabes dos sons e sussurros das águas
Tens a fragrância dos amores que se fizeram.
Conheces os passos da ternura e da entrega,
Quando tantas vezes criaste um cenário
E viste mãos a se despirem da solidão!


Se uma lua desvairada em ti se debruça
Seduzes toda e qualquer palavra
Fulva de encantamento, desnudas-te
E de veias abertas, sussurrando para o mar
Pedes a saudade, para que o poeta volte...


© Fernanda Guimarães