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Este
foi um dos primeiros textos que escrevi, quando do meu retorno
à escrita. Publiquei-o a primeira vez na Sonhos e Palavras,
primeira lista literária que participei na Internet. E
é através dele que desejo a todos um Feliz Ano Novo. Para
mim, todo recomeço sugere que não percamos os nossos sonhos
de vista. São eles que nos impulsionam para o realizar, para
o despertar. Que
a esperança seja nossa parceira neste novo tempo que se
anuncia. Carinho,
Fernanda
Guimarães
Sonhos
Os
sonhos permeiam toda a existência humana. Sonhos pequenos,
grandes, coloridos ou em preto-e- branco transitam nos corações,
pulsando descompas- sadamente em doce frenesi.
Transeuntes, posseiros, inquilinos, acabam por colorir em
tons de arco-íris as paisagens da nossa alma, fazendo-nos
descobrir novos matizes, à medida que nossos olhos os
vislumbram. Muitas vezes, nem notamos sua presença... Ficam
a nos espiar sorrateiramente, aguardando sabiamente que os
nossos corações possam vê-los e senti-los.
Os
sonhos nunca andam sozinhos... Terminam por acasalar-se com
outras emoções. São como corredeiras que, ao passarem por
entre penhascos, arrastam o que abarrota as prateleiras da
nossa alma.
De
certo, o maior parceiro dos sonhos é a esperança. Andam de
mãos dadas, cúmplices a nos acenar afetivamente... Acarinham a nossa tez, fazem serenatas nos
portais da nossa vida, entoam melodias, criando notas
musicais desconhecidas. Aportam como nau em busca de porto
seguro, falam-nos de beijos guardados e de abraços
roubados... Lançam-nos âncoras, fazem-nos aprender a
conjugar verbos esquecidos em porões.
Existem
sonhos que permanecem dormindo... Jamais despertam,
esgueiram-se da vida, da possibilidade do encontro com o Sol
e do namoro com a Lua.
Aprisionam-se
em teias, enroscam-se nos limites dos nossos passos, nas
amarras da nossa incredulidade.
Existem sonhos que bocejam, espreguiçam-se... Apesar de
acordados, resvalam nos nossos precipícios, nas nossas
censuras. Enxergam o mundo, escutam os sons da vida,
permanecendo, todavia, em casulos. Ouvem o barulho das
ondas, avistam o azul do céu, porém o mistério e a
grandiosidade do mar os detêm. Sonolentos, acabam por
fincar raízes em cárceres privados... e são sufocados em
pesadelos.
Existem
sonhos que acordam, que se expõem... Correm sem máscaras ou
disfarces, soltos no mundo. Andam descalços em nossas ruas,
desejosos por fazerem almas sorrir. Céleres, ousam, assumem
riscos, brincam numa roda de ciranda... Não se perdem em
ensaios ou labirintos; gritam por vida e são esculpidos em
algum lugar deste imenso planeta. Concretizados, lançam-se
de novo como sementes, porque esses sonhos não param, são
incansáveis... Partem como pássaros em busca de outros céus
que acreditem em novas quimeras.
Fernanda Guimarães
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