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Costumo
fazer um paralelo entre a vida e uma tela de arte...nossas
relações com o mundo, com o outro vão imprimindo cores e
imagens para a composição desse quadro. A forma como nos damos
é que vai delineando a luminosidade, plasticidade e beleza à
paisagem da nossa alma.
Os encontros entre as pessoas são como a mistura de guaches...há
cores que se fundem em perfeita unicidade; há tons que ao se
misturarem não produzem o efeito desejado e há nuanças que,
apesar de existirem no universo, jamais serão pintadas na mesma
tela.
Apesar das nossas singularidades e peculiaridades, abrigamos no
nosso coração uma profusão de vontades coincidentes, de desejos
que se entreolham, buscando espaço a cada crepúsculo da nossa
alma.
Entre esses desejos, a felicidade fulgura como a maior reivindicação
da natureza humana. Por ela, inquirimos astros, deuses, duendes,
gnomos, fadas...consultamos as cartas, tarôs, búzios para que
nos indiquem o tal prometido "pote de ouro" no fim do
arco-íris.
Em busca da felicidade, enveredamos por caminhos, corremos como
loucos...estradas íngremes, vias tortuosas, atalhos, veredas
lineares, vielas, ruas sem saída! Opções que se descortinam em
forma de labirinto aos nossos olhos...por onde ir? Como ir?
Quantas vezes não nos fazemos estas perguntas? Ah, e as nossas
resistências? O que fazer com nossos medos, com a miopia das
nossas intenções?
Passamos a maior parte do tempo armazenando quinquilharias na
nossa alma, tolhendo a oportunidade de gerarmos novas emoções ou
de fertilizar sentimentos já existentes. E essa estocagem do que
já não nos faz sorrir, adia o nosso encontro com a felicidade.
Não existem receitas ou fórmulas prontas para se encontrar a
felicidade. Nem a maturidade, nem a experiência nos fornece
salvo-conduto para sairmos incólumes nas nossas tentativas. Intuição,
respeito, sensibilidade e ousadia são os maiores ingredientes
para nortearmos nossa busca.
Quando sentirmos nosso coração num prometido ensaio para a
felicidade, será difícil dizer não... permita-se, lambuze-se
neste elixir, porque a vida pode ser um arco-íris, e sempre
podemos escolher a cor que desejamos ser.
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