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Enigmática
Entre as mãos, tuas e
minhas confissões A tecerem códigos nesta tela de silêncios,
Arrematando ausências, bordando inquietudes. Porque é
inegavelmente para ti Que a voz da minha poesia desperta, Ainda
que aparentemente oculta Na afonia da palavra ou na letra enigmática.
À sombra dos meus dias, guardo desejos Na consumação desta
aparente calma. Dissimulo na garganta, o nó da dualidade Sendo a
que convenientemente vês E a que tentas inutilmente esconder Do
torvelinho que faço em teu peito. É que há um amor contido em meus
lábios Clamando à porta da liberdade para dizer-se. És tu que
caminhas em meus silêncios Copulando com os segredos que guardo de
mim. E quando me esqueço de minhas senhas, Abrigando-me no
esquecimento da vida É a fragrância da saudade que recende de ti
Que acorda o sol dos meus olhos...
© Fernanda Guimarães
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