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Desalento
 

 
 
Nada me resta entre os dedos
Nem a calma que tanto me pedes,
Tampouco a aflição do vazio.
E de tanto inutilmente buscar-me,
Vezes mergulhando em frias águas
Vezes atravessando-me a própria carne
Respiram mornos senões e enfados
Feridas que não conhecem cicatrizes
 
Em alguns momentos, distraio-me.
Os olhares deixam-se arrepiar
Pela carícia tímida de uma brisa.
Alcança-me o sol, um alento
Até uma perdida primavera.
Engana-me a ternura da palavra
Que me incita tolas promessas.
Infante, lanço-me em mares
Em braçadas largas e afoitas
Pensando navegar em ondas de vida,
Como se eu mesma existisse.
Sou apenas o anúncio da noite.
 
                                                       Fernanda Guimarães