A Poesia de Helena Freitas

Helena S. Freitas, musa de O Literário a partir de enquete realizada em Fev/2001

 

MORREM AS ÁRVORES DE PÉ?

Uma árvore cai!..
... não se (lhe) ouve um som.
Na Natureza
a morte é sempre assistida do silêncio.
As outras árvores choram...
e o seu pranto é mais pungente
que a dor do tronco magoado,
a descer lentamente por entre a vegetação,
até esmagar o solo.

 

POEMA DE PAPEL

(poema premiado no Concurso de Poesia do Site Poemas Azuis em Março/2001)

I - Livro
Abres um livro
pões-te a lê-lo.
Folheias,
marcas,
sublinhas, se calhar.
Viras-lhe a capa
desdobras
as bandas, se as tiver,
e colocas o livro
no lugar.

II - Folhas
Passas os dedos
no papel claro,
nas linhas finas,
nas notas por apagar.
Vês as frases
com ou sem rumo
e és quem decide:
recuas ou deixas-te levar.


III - Texto
Enfim prosseguiste
na viagem ao livro
as palavras arrastam-te.
Uma corrente de letras
quer fazer-te render
de uma às outras páginas.
Se o conto te envolve
já estás, mas não sabes,
dentro dessa história.
Esqueces-te do redor,
reflectes no que lês,
constróis mil imagens.
No mergulho ao texto,
que dás sem sentir,
enrola-se a trama.
E então não és tu,
já sem saberes de ti,
mais do que as personagens.