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As
lições de Tancredo
Tancredo
Neves ensinava que não se deve nomear quem não se pode
demitir. Um genro, por exemplo, nunca pode ser demitido a não
ser que o governante lhes reserve destino fatal de Ciano ou dos
similares de Saddam Hussein. Um Sérgio Motta que, por razões
que nos são alheias, FHC não podia afastar do ministério o
que sòmente ocorreu, devido a seu falecimento.
Ele
também deixou lição para o governante eleito se livrar da
pressão de amigos e correligionários por cargos. Um deles, seu
fiel amigo desde a malograda candidatura ao governo de Minas de
1960 estava a seu lado na campanha vitoriosa de 1982. Sempre
junto ao eleito, tentou, de todas as maneiras, obter dele nomeação
para alto posto. Nada. Um dia, jogou a cartada decisiva. Chegou
junto ao velho líder pessedista e lhe expôs seu drama: “
Sabendo de nossa amizade, todo o mundo quer saber se fui
convidado para algum cargo em seu governo. Já não sei mais o
que fazer,o que dizer.’ Tancredo recomendou-lhe não se
apoquentar quando interpelado a respeito: “ Basta dizer que
foi convidado e não aceitou”.
Tancredo
costumava dizer que o período mais feliz da vida de um
governante é o que vai da eleição a posse quando não tem de
desgostar ninguém, fazendo opções de pessoas e de políticas.
Lula
não seguiu tal regra. Embalou-se na potoca da transição pacífica,
pretexto achado pela grande mídia para bajular FHC e está
dividindo o prejuízo. Tem o ônus de herdar o abacaxi,
cuidadosamente preparado pelo antecessor, sem o bônus de
nomear. Antes de assumir, caiu na cilada e tem de dar voto em
aumento de salários, de preços, enfim, tudo o que é impopular
e que marcou os tempos do tucanato. Não assistiu a esta aula de
Tancredo.
Há
quem diga que Tancredo Neves, tão sabido, não conseguiu
enganar a morte. Não sei. Tenho, para mim, que ele prorrogou o
quanto possível o período entre a eleição e a posse. Como
esta não veio, esperou, no leito do hospital, a canonização
da tevê, sem o ônus do governo que transferiu, por inteiro, a
José Sarney
Lustosa da Costa
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