Lustosa da Costa

 

 

Velhos jornalistas

 

Quando vejo este auê em torno de marqueteiros que fizeram Roseana, fazem Lula, constroem ou descontroem personalidades, balanço a cabeça, incrédulo. Não se fabrica um político, principalmente um candidato à  Presidência como se lança um produto,  principalmente um novo produto. Um político é ,antes de tudo, sua biografia, depois o rumo para onde o vento sopra e a situação em que ele se posta, se coloca. Claro, que uma boa embalagem pode valorizar o produto. Jamais cria o produto. Marqueteiro é igual a jornalista político aposentado que se apresenta como criador, autor de suas personagens. Ele pode até ajudar um político que tenha sua historia e esteja remando em direção favorável, não o produz, não o cria como alguns têm o desplante de afirmar.

Os Pigmalião

Muitos são "Pigmalião". Autores de grandes obras. Sem eles, o que seria de Sarney? O que teria sido Ulysses Guimarães? O ACM? Personagens secundários da vida publica a que eles insuflaram o sopro de gênio. É fantástica a ilusão em que se embalam.

 

 

No retrovisor, vai crescendo

 

O jornalista é testemunha. Senta na platéia. Com o passar dos anos, porém, a imaginação vai enriquecendo seu papel na Historia. No retrovisor mais avulta seu papel. De repente, passa a autor, a protagonista. Sobe ao palco, pelo menos em suas reminiscências e move paginas da Historia. Transforma-se em ator principal.

 

 

O modelo que conheço e que procuro evitar, e talvez não o consiga, é um primor de homem de imprensa,em torno do qual girava o Brasil. Porque não há homem publico que ele não haja conhecido no começo de sua carreira, a quem não tenha dado a mão, que não lhe deva um favor. 150 anos

Mesmo os que nos parecem bem mais velhos que eles. A propósito, Helio Fernandes costuma ironizar brilhante e veterano colega por suas intervenções na historia contemporânea. Não há acontecimento político dos últimos 150 anos que ele não presenciou,do qual não participou.

São chatos ,muito chatos os jornalistas políticos aposentados. No receio de maçar antigos personagens com historias velhas, tenho-as poupado de minha presença. Porque sei o quando padecem os políticos na mão destes senhores, lotados de reminiscências. Perdendo oportunidade

Com freqüência, o jornalista jubilado é um abnegado. Porque vivendo perto dos poderosos jamais pensou em seu nomeado para um lugar de ministro d tribunal de contas ou titula de cartório. Tudo por desinteresse, abnegação do nosso herói que era só falar e logo o Presidente, o Governador o teria atendido.

Ele também foi um bravo, desafiando a ditadura militar, quando todos os outros se encolhiam, se acoelhavam. No entanto,eis aí sua mágoa, muitos dos timoratos,dos tibios usufruem gordas prebendas desde quando a liberdade voltou a a raiar entre nós.Intelectuais

Tal qualidade talvez não seja exclusiva de jornalistas políticos. Vimos, um dia desses, um dos intelectuais que trabalharam com JK, falando da pequenez da personagem e da grandeza do assessor. Não fora ele, o velho Jusça não teria construído Brasília, não teria proferido as frases que proferiu, tomado as decisões que tomou, não haveria vinculado,fundamente, as paginas da Historia.Seria apenas um leviano que passava o dia, esperando chamadas telefônicas das namoradas e correndo a seu encontro.E o secretário lá firme sozinho,casto  altaneiro,segurando o comando do barco, chamado Brasil.

                                                            Lustosa da Costa