Lustosa da Costa

 

 

Pai e filha

 

Vamos ter, no Senado, pai e filha o que só ocorreu no Império. É o caso de José Sarney, senador desde 1970 e de Roseana Sarney que só agora conquista tal título. Como no passado, aconteceu com o Visconde de Congonhas do Campo e o desembargador Antonio Augusto Monteiro de Barros. Por pouco. Pois o Visconde de Congonhas teve a infelicidade de ver desaparecer, o filho e colega a quem sobreviveu por dez anos.

Caxias e o pai

O outro caso bem mais digno de atenção foi a presença de Francisco de Lima e Silva e de Luis Alves de Lima e Silva, este o Duque de Caxias, simultaneamente como senadores. Conta-se que, às vezes, o pai  faltava ao Senado, alegando:

“Não fui para não votar contra o Luis.”

Filho, mas colega! 

O Duque de Caxias nem sempre se moveu por tais escrúpulos.

Durante um octênio, relata Taunay, foi colega do velho regente seu pai que, uma vez, o admoestou:

“Vosmecê parece que às vezes se esquece de que é meu filho".

Beijando a mão do pai no recinto do Senado, respondeu sorrindo:

"Seu filho, mas também seu colega, meu pai".

O velho, já apaziguado, orgulhoso das glórias do herdeiro, observou para os colegas:

É isto. Meu colega, um menino desses! Colega de seu velho pai! Nosso colega, meus senhores, onde iremos parar? Um menino destes, colega de nossas velhices".

                                                            Lustosa da Costa