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Senado,
hábito de família
Duas
senadoras nordestinas vão ter assento na Câmara Alta, por hábito
de família.
Uma
delas, Patrícia Saboya, neta do senador Plínio Pompeu, vem de
linhagem que remonta aos tempos de Pedro I.
Um de seus ascendentes diretos foi o senador Francisco de
Paula Pessoa, o senador dos bois, aquele que, ainda tangerino,
comandando tropa de jumentos e burros conduzindo mercadorias
para venda de Granja a Sobral, fez pedido à sua madrinha, Nossa
Senhora. Queria ser senador do Império, viver 80 anos e ferrar
dois mil bezerros por ano.
Rezam
as lendas que ao completar esta data redonda, voltou à presença
da santa para lhe propor aditivo:
“Nossa
Senhora, obrigado por tudo quanto a senhora me deu. Sou senador
do império, ferro mais de dois mil bezerros por ano mas oitenta
anos é tão pouquinho.”
A
santa sorriu de cima do altar e lhe deu mais quatro anos de
lambuja.
Uma
dinastia
Paula
Pessoa fundou uma dinastia política que tem em Patrícia Saboya
a representante mais eminente. Ele foi pai do senador Vicente
Alves de Paula Pessoa e avô do senador Tomaz de Paula
Rodrigues. Seu filho e homônimo, chamado dr. Paulinha,
foi deputado federal. Sua neta, filha deste, Maria da Soledade,”Sinhá”,
casou com José Saboya de Albuquerque, juiz e chefe político de
Sobral, que fez do genro, Plínio, senador. Seu filho, Ernesto,
foi deputado federal. Para Patrícia, a senatoria é assim um hábito
de família.
Lustosa
da Costa
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