José Luis Lira

 

 

 

Rachel de Queiroz

 

Professora, Jornalista, Romancista, Cronista e Teatróloga.

 

Nasceu, em Fortaleza, Capital do Ceará, em 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descende, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar, parente portanto do autor ilustre de “O Guarani” e “Iracema”, José de Alencar, e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas no Quixadá e Beberibe.Neta paterna de Arcelino de Queiroz Lima (Bacharel em Direito, foi juiz em Pacatuba) e de Rachel Alves de Lima (de quem Rachel herdou o nome) e materna de Rufino Franklin de Lima (Engenheiro, filho de João Franklin de Lima e Maria de Macedo Lima [Vovó Miliquinha], neta de Tristão Gonçalves, bisneta de dona Bárbara de Alencar, a heroína, avó de José de Alencar) e de Maria Luiza de Alencar Sabóia, descendente de sobralenses.

Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Eleita para a Cadeira de no 5, em 4 de agosto de 1977, na sucessão de Cândido Mota Filho, foi recebida em 4 de novembro de 1977 pelo acadêmico Adonias Filho.
Integra o quadro de Sócios Efetivos da Academia Cearense de Letras (ACL) e da Academia Camocinense de Letras; é Sócia Honorária da Academia Sobralense de Estudos e Letras e da Academia de Municipalista de Letras do Estado do Ceará (ALMECE).

Em 1917, Foi para o Rio de Janeiro, em companhia dos pais que procuravam, nessa migração, fugir dos horrores da terrível seca de 1915, que mais tarde a romancista iria aproveitar como tema de O quinze, seu livro de estréia. No Rio, a família Queiroz pouco se demorou, viajando logo a seguir para Belém do Pará, onde residiu por dois anos. Regressando a Fortaleza, Rachel de Queiroz matriculou-se no Colégio da Imaculada Conceição, onde fez o curso normal, diplomando-se em 1925, aos 15 anos de idade, segundo ela mesma, seu único estudo regular.

Estreou no jornalismo em 1927, com o pseudônimo de Rita de Queluz, publicando uma carta ironizando o concurso "Rainha dos Estudantes", promovido por aquela publicação, no jornal “O Ceará”, de que se tornou afinal redatora efetiva. Ali publicou poemas à maneira modernista, cujos ecos do sul, da Semana de Arte Moderna de 1922, chegavam a Fortaleza. Três anos depois, ironicamente, quando exercia as funções de professora substituta de História no colégio onde havia se formado, Rachel foi eleita a "Rainha dos Estudantes". Com a presença do Governador do Estado, a festa da coroação tinha andamento quando chega a notícia do assassinato de João Pessoa. Joga a coroa no chão e deixa às pressas o local, com uma única explicação "Sou repórter".

Em fins de 1930, publicou o romance “O Quinze”, que teve inesperada e funda repercussão no Rio e em São Paulo, antes, publicou o folhetim “História de um nome” — sobre as várias encarnações de uma tal Rachel — e organizou a página de literatura do jornal “O Ceará”. Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, através do “O Quinze”, agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca.O livro, editado às expensas da autora, apareceu em modesta edição de mil exemplares, recebendo crítica de Augusto Frederico Schmidt, Graça Aranha, Agripino Grieco e Gastão Cruls. A consagração veio com o Prêmio da Fundação Graça Aranha, que lhe foi concedido em 1931, ano de sua primeira distribuição oficial.

Em 1932, ano em que se casou com o poeta bissexto José Auto da Cruz, publicou um novo romance, intitulado João Miguel; em 1933, nasce, no Sítio Pici, sob os cuidados de uma parteira, d. Júlia, tendo na sala o médico e parente Dr. Leorne Menescal, sua única filha Clotilde, que viria a falecer em 1935, de septcemia; em 1934, no dia 19 de dezembro, teve sua candidatura a Deputada Estadual do Ceará, lançada, na Coluna da Hora (Praça do Ferreira – Fortaleza – CE.), pelo Partido Socialista Brasileiro – P.S.B.Em 1937, retornou ao romance com Caminho de Pedras. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe d’ Oliveira, com o romance As três Marias.Com a morte da filha o casamento se acabou e retorna Rio, onde reside desde 1939, colaborou no Diário de Notícias, em O Cruzeiro e em O Jornal.

Em 1940, conhece o médico goiano Oyama Macêdo, com se casa pouco depois. Ambos se conheceram através do primo, Pedro Nava. Segundo a própria Rachel, o então Pe. Hélder Câmara (futuro D. Hélder, Arcebispo de Recife, cearense e amigo de Rachel desde os tempos de infância), oficializou sua união religiosa com Oyama, embora sendo agnóstica.

Cronista emérita, publicou mais de duas mil crônicas, cuja seleta propiciou a edição dos seguintes livros: A donzela e a moura torta; 100 Crônicas escolhidas; O brasileiro perplexo e O caçador de tatu.

Em 1950, publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance O galo de ouro. Tem duas peças de teatro, Lampião, escrita em 1953, e A Beata Maria do Egito, de 1958, laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional do Livro, além de O Padrezinho Santo, peça que escreveu para a televisão, ainda inédita em livro.

No campo da literatura infantil, escreveu o livro O menino mágico, a pedido de Lúcia Benedetti. O livro surgiu, entretanto, das histórias que inventava para os netos. Dentre as suas atividades, destaca-se também a de tradutora, com cerca de quarenta volumes já vertidos para o português.

O presidente da República, Jânio Quadros, a convida para ocupar o cargo de ministra da Educação, que é recusado. Na época, justificando sua decisão, teria dito: “Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista.”Foi membro do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação, em 1967, até sua extinção, em 1989. É membro do Conselho Estadual de Cultura do Ceará.Participou da 21a Sessão da Assembléia Geral da ONU, em 1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando especialmente na Comissão dos Direitos do Homem.
Em 1985, foi inaugurada em Ramat-Gau, Tel Aviv (Israel), a creche “Casa de Rachel de Queiroz”, sendo Rachel de Queiroz, o único escritor brasileiro a contar com essa honraria naquele País.  Colabora semanalmente no Jornal O Povo, de Fortaleza e desde 1988, iniciou colaboração semanal no jornal O Estado de S. Paulo e no Diário de Pernambuco, dentre outros, distribuídos pela Agência Estado.
  

Prêmios outorgados (os principais):

 

1.             Prêmio Fundação Graça Aranha para O quinze, 1930;

2.             Prêmio Sociedade Felipe d’ Oliveira para As Três Marias, 1939;

3.             Prêmio Saci, de O Estado de São Paulo, para Lampião, 1954;

4.             Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo       conjunto de obra, 1957;

5.             Prêmio Teatro, do Instituto Nacional do Livro, e Prêmio Roberto Gomes, da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, para A beata Maria do Egito, 1959;

6.             Prêmio Jabuti de Literatura Infantil, da Câmara Brasileira do Livro (São Paulo), para O menino mágico, 1969;

7.             Prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em 1980;

8.             Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1981;

9.    Medalha Marechal Mascarenhas de Morais, em solenidade realizada no Clube Militar, em 1983;

9.             Medalha Rio Branco, do Itamarati, 1985; Medalha do Mérito Militar no grau de Grande Comendador, 1986;

10.         Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais, 1989;

11.         Ordem do Mérito Nacional, 1991;

12.         Prêmio Camões, o maior da Língua Portuguesa, 1993, sendo a primeira mulher a recebê-lo;

13.         Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual do Ceará – UECE, 1993;

14.         Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Vale do Acaraú, de   Sobral, em 1995;

15.         Prêmio Moinho Santista de Literatura, 1996, dentre outros inúmeros prêmios e títulos.

16.         Título Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2000.

17.         Medalha Boticário Ferreira, da Câmara Municipal de Fortaleza, 2001;

18.         Troféu Cidade de Camocim, 2001. 

 

Obras Principais:

 

1.             O quinze, romance (1930);

2.             João Miguel, romance (1932);

3.             Caminho de pedras, romance (1937);

4.             As três Marias, romance (1939);

5.             A donzela e a moura torta, crônicas (1948);

6.             O galo de ouro, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950);

7.             Lampião, teatro (1953);

8.             A beata Maria do Egito, teatro (1958);

9.             100 Crônicas escolhidas (1958);

10.           O brasileiro perplexo, crônicas (1964);

11.           O caçador de tatu, crônicas (1967);

12.           O menino mágico, infanto-juvenil (1969);

13.           As menininhas e outras crônicas (1976);

14.           O jogador de sinuca e mais historinhas (1980);

15.           Cafute e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986);

16.           Memorial de Maria Moura, romance (1992);

17.           Nosso Ceará (1997);

18.           Tantos Anos (1998). Os dois últimos em parceria com sua irmã Maria Luiza de Queiroz Salek;

19.           O Não Me Deixes – Sua História e sua cozinha.

 

Obras reunidas de ficção:

 

1.             Três romances (1948);

2.             Quatro romances (1960).

3.             Seleta, seleção de Paulo Rónai; notas e estudos de Renato Cordeiro Gomes (1973).

 

 

Crônica:

 

1.             A Donzela e a Moura Torta (1948);

2.             100 Crônicas Escolhidas (1958)

3.             O Brasileiro Perplexo (1964)

4.             O Caçador de Tatu (1967)

5.             As Menininhas e Outras Crônicas (1976)

6.             O Jogador de Sinuca e Mais Historinhas (1980)

7.             Mapinguari (1964)

8.             As Terras Ásperas (1993)

9.             O Homem e o Tempo (74 crônicas escolhidas}

10.            A Longa Vida Que Já Vivemos

11.            Um Alpendre, Uma Rede, Um Açude: 100 Crônicas Escolhidas

12.         Cenas Brasileiras

 

Livros em parceria:

 

1.             Brandão entre o mar e o amor (romance - 1942) - com José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Aníbal Machado e Jorge Amado.

2.             O mistério dos MMM (romance policial - 1962) - Com Viriato Corrêa, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio Cardoso, Herberto Sales, Jorge Amado, José Condé, Guimarães Rosa, Antônio Callado e Orígines Lessa.

3. Luís e Maria (cartilha de alfabetização de adultos - 1971) - Com Marion  Vilas Boas Sá Rego.

4. Meu livro de Brasil (Educação Moral e Cívica - 1º. Grau, Volumes 3, 4  e 5 - 1971) - Com Nilda Bethlem.


Traduções:

 

Para o alemão:

 

1. Das Jahr 15 ( O quinze) - Frankfurt, 1978

2. Die drei Marias (As três Marias) - Munique, 1994

 

Para o francês:

 

1. Dôra, Doralina - Paris, 1980

2. Jean Miguel (João Miguel) - Paris, 1984

3. L'année de la grande sécheresse (O quinze) - Paris, 1986

4. Maria Moura (Memorial de Maria Moura) - Paris, 1995

 

Para o inglês:

 

1. The Three Marias (As três Marias) - University of Texas Press, 1963

2. Dôra, Doralina - Nova York, 1984

 

Para o japonês:

 

1. Kambatsu (O quinze) - Tóquio, 1978

 

Multimídia:

 

1. CD duplo com crônicas da autora lidas pela atriz Arlete Salles, coleção "Os Imortais", 1999.

 

 

 

Obras traduzidas pela escritora:


Romances:

 

1.   AUSTEN, Jane. Mansfield Parlz (1942).

2.   BALZAC, Honoré de. A mulher de trinta anos (1948).

3.   BAUM, Vicki. Helena Wilfuer (1944).

4.   BELLAMANN, Henry. A intrusa (1945).

5.   BOTTONE, Phyllis. Tempestade d'alma (1943).

6.   BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes (1947).

7.   BRUYÈRE, André. Os Robinsons da montanha (1948).

8.   BUCK, Pearl. A promessa (1946).

9.   BUTLER, Samuel. Destino da carne (1942).

10. CHRISTIE, Agatha. A mulher diabólica (1971). 

11. CRONIN, A. J. A família Brodie (1940).

12. CRONIN, A. J. Anos de ternura (1947).

13. CRONIN, A. J. Aventuras da maleta negra (1948).

14. DONAL, Mario. O quarto misterioso e Congresso de bonecas (1947).

15. DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Humilhados e ofendidos (1944).

16. DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Recordações da casa dos mortos (1945).

17. DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os demônios (1951).

18. DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os irmãos Karamazov (1952) 3 v.

19. DU MAURIER, Daphne. O roteiro das gaivotas (1943).

20. FREMANTLE, Anne. Idade da fé (1970).

21. GALSWORTHY, John. A crônica dos Forsyte (1946) 3 v.

22. GASKELL, Elisabeth. Cranford (1946).

23. GAUTHIER, Théophile. O romance da múmia (1972).

24. HEIDENSTAM, Verner von. Os carolinos: crônica de Carlos XII (1963).

25. HILTON, James. Fúria no céu (1944).

26. LA CONTRIE, M. D'Agon de. Aventuras de Carlota (1947).

27. LOISEL, Y. A casa dos cravos brancos (1947).

28. LONDON, Jack. O lobo do mar (1972).

29. MAURIAC, François. O deserto do amor (1966).

30. PROUTY, Oliver. Stella Dallas (1945).

31. REMARQUE, Erich Maria. Náufragos (1942).

32. ROSAIRE, Forrest. Os dois amores de Grey Manning (1948).

33. ROSMER, Jean. A afilhada do imperador (1950).

34. SAILLY, Suzanne. A deusa da tribo (1950).

35. VERDAT, Germaine. A conquista da torre misteriosa (1948).

36. VERNE, Júlio. Miguel Strogoff (1972).

37. WHARTON, Edith. Eu soube amar (1940).

38. WILLEMS, Raphaelle. A predileta (1950).

 

Biografias e memórias:

 

1.   BUCK, Pearl. A exilada: retrato de uma mãe americana (1943).

2.   CHAPLIN, Charles. Minha vida (caps. 1 a 7 (1965).

3.   DUMAS, Alexandre. Memórias de Alexandre Dumas, pai (1947).

4.   TERESA DE JESUS, Santa. Vida de Santa Teresa de Jesus (1946).

5.    STONE, Irwin. Mulher imortal (biografia de Jessie Benton Fremont (1947).

6.    TOLSTÓI, Leon. Memórias (1944).

   

 

 

Teatro:


1.   CRONIN, A. J. Os deuses riem (1952).

 

 

Observações:

 

Sua obra foi objeto de inúmeros estudos e teses. Morando no Rio de Janeiro, mantém apartamento em Fortaleza e a Fazenda Não Me Deixes, em Quixadá, sua grande paixão. Seu apartamento no Rio foi equipado com móveis levados do Ceará.

 

Fazenda Não Me Deixes

 

Somos testemunhas do seu grande apego com a Fazenda Não Me Deixes, Reserva Particular do Patrimônio Natural, de onde, se pudesse, a célebre escritora não saía. Em seu “Tantos Anos”, a escritora afirma que fez toda a casa e formou a Fazenda, juntamente com o marido, Oyama Macêdo e quando o mesmo faleceu foi difícil o retorno:

“Quando mais tarde perdi Oyama, passei algum tempo sem querer voltar ao Não Me Deixes. Iria doer demais.

(...)

Não resisti, fui com um pouco de medo – e deu certo. Lá, realmente, é o meu lugar. Cada volta minha é um regresso. E sinto que lá é o meu permanente. O Rio e provisório”.

 

Irmãos

 

Rachel é a primeira filha do casal Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz. Em fevereiro de 1913, nasceu seu irmão Roberto, já falecido; em agosto de 1916, nasceu Flávio, já falecido; em outubro de 1919, nasceu Luciano, também já falecido. Sua irmã caçula, Maria Luiza de Queiroz Salek, mãe dos netos de Rachel, nasceu em setembro de 1926.

 

Casamento

 

“Acho que o casamento é uma instituição muito boa, uma vez que homem e mulher foram feitos para ficar juntos. No primeiro casamento (com José Auto da Cruz) não fui muito feliz e perdi minha filhinha Clotilde, o que estragou muito meu relacionamento com meu primeiro marido. Depois encontrei o Oyama, que amei muito e, embora ele tenha morrido há anos, a presença dele é constante ao meu lado.”

 

Filhos

 

A única filha que Rachel teve foi a Clotildinha, que faleceu. Rachel afirma que não há dor maior que perder um filho. “É como se retirassem um pedaço seu”. A irmã caçula de Rachel, Maria Luiza, sempre foi tida por ela como filha, visando sanar essa falta. Os filhos de Maria Luiza, Daniel e Flávio tem em Rachel sua avó. Aliás, as suas histórias infantis foram escritas para eles, seus netos.

 

Pioneirismo e Amor ao Ceará

 

“Cumprindo a sina do pioneirismo cearense, Rachel de Queiroz, ..., foi a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras, em 1977. Fortalezense ilustre e patrimônio da literatura nacional, mora no Rio de Janeiro, mas não esquece a terrinha. Ela personaliza como ninguém a força dos nordestinados. Tanto que, vez por outra, está aqui, sempre realizando alguma coisa pelo Ceará.

Mantém um apartamento em Fortaleza e uma Fazenda (Não Me Deixes) no Sertão de Quixadá. ‘Nunca saí daí. Vivo no Rio de Janeiro porque é o jeito, tenho que ganhar a vida. Mas, sempre que posso vou aí. Ganho dinheiro aqui no Rio para gastar no Ceará, terra que eu adoro’, declara em entrevista por telefone. Para ela, ‘ser nordestino é um privilégio que eu não especifico para não fazer inveja aos que não gozam dessa felicidade’. (Jornal Diário do Nordeste de 08 de março de 1998).

 

Quixadá

 

Quixadaense, de coração, mas como ela mesma diz “é quixadaense” e  “o Quixadá é minha própria razão de viver”. Certa feita um vereador sugeriu à Câmara a outorga do título de cidadã honorária de Quixadá e ela agradeceu gentilmente, mas não necessitava do título, já era, naturalmente, quixadaense.

No Diário do Nordeste de 14 de março de 2001, lemos, “Apesar de ter nascido na capital cearense, é no Município de Quixadá que a escritora Rachel de Queiroz reencontra o tema central de suas obras e sua grande paixão – o sertão nordestino. É na fazenda Não Me Deixes, encravada na aridez do semi-árido, próximo à cidade, que a autora de ‘O Quinze’ revive as lembranças da infância e se esconde do cotidiano agitado dos centros urbanos”.

 

Religião e Morte

 

“Eu não tenho religião. Não sou uma pessoa religiosa, mas respeito a religião dos outros e este é um assunto que eu quase nunca falo. Quanto à morte, a morte é repouso, é o prêmio e eu estou esperando por ela.”

 

Ao leitor

 

É interessante que o leitor possa perceber um pouco da meiguice e ternura de Rachel, uma das pessoas mais autênticas e sérias que conheço. De simplicidade inigualável, Rachel permanece em plena atividade e em total lucidez. Que você tenha a felicidade de conhecer a Rachel de Queiroz, pessoa, que é tão magnífica quanto a escritora, nossa conhecida desde os tempos de ginásio.

                           

Nota:

 

Os dados de Rachel de Queiroz foram obtidos em livros de e sobre a autora, sites da Internet, jornais e revistas de circulação nacional, além de depoimentos da própria Rachel. 

 

Sobre José Luís Araújo Lira

 Advogado, escritor e pesquisador. Foi candidato de Rachel de Queiroz à Academia Cearense de Letras e é seu afilhado de formatura. Pertence à Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará – Cadeira de nº 12 – representando Guaraciaba do Norte, sua terra natal; Sociedade Cearense de Geografia e História, à Academia Camocinense de Letras – ACL, Cadeira de no 23, patroneada por Anésio Frota Aguiar e à Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil – AJEB, Coordenadoria do Ceará, Rotary Club de Fortaleza – Edson Queiroz, dentre outros. 

E-mail: j.llira@bol.com.br

 

 

 

Rachel de Queiroz  na Ilha de Caras

 janeiro/2001 – Foto de José Luís Lira