José Luis Lira

 

 

Rachel de Queiroz e as conquistas da Mulher

 

Em novembro p.p., comemorou-se os 90 anos de um dos maiores cearenses de todos os tempos: Rachel de Queiroz, aquela cujo nome está relacionado às grandes conquistas femininas. A data foi lembrada em sessão solene, no Salão Nobre da Academia Brasileira de Letras. Lá estávamos, dividindo com a grande escritora a emoção forte daquele momento, selado com a apresentação de Rachel de Queiroz para o Prêmio Nobel de Literatura, feita pelo imortal da ABL Antonio Olinto. Por conseguinte, a primeira brasileira a integrar o quadro de imortais da mais colenda Academia de Letras do País, embora não sendo a mais antiga, pois a nossa Academia Cearense de Letras, a antecedeu em 3 anos, seria também a primeira, dentre as mulheres brasileiras, a disputar o tão ambicionado Prêmio Nobel de Literatura.

Sendo o maior escritor vivo deste País, aquela que firmou o romance regional e fez escola na nossa literatura, Rachel não abandonou a simplicidade e, ao escrever, passa a impressão de que está falando com o seu leitor. Nós que temos o privilégio de gozar de sua amizade, a cada dia, aumentamos mais nossa admiração e respeito por ela. Notícias sobre os feitos e homenagens à nossa Rachel, muita alegria afloram em tantos que amam a literatura brasileira.

Rachel de Queiroz, recebe, hodiernamente, a prova inconteste do reconhecimento de nós, cearenses, a essa grande conterrânea que melhor nos representa nos cenários nacional e internacional e que é nosso maior motivo de orgulho. D. Bárbara de Alencar, Tristão Gonçalves e José de Alencar, são muito bem representados por essa grande cidadã, mulher e dignatária das letras, que é Rachel de Queiroz, descendente deles.

Talvez a autenticidade e firmeza de propósitos de Rachel de Queiroz tenham sido herdados de D. Bárbara, a primeira presa política do Brasil. Vendo José de Alencar, o grande romancista cearense, o consideramos o único a quem podemos equiparar Rachel de Queiroz, a brasileira que participou da 21a Sessão da ONU, na Comissão de Direitos Humanos, dentre outras; no entanto, nos atemos à menina que, aos 20 anos, se firmou como escritora, lançando seu livro “O Quinze”, retratando a realidade de seu povo, com o linguajar do homem do sertão, que será mantido no filme homônimo que está sendo produzido pela competente escritora Letícia Menescal, produtora geral do filme “O Quinze”.

Àquela que mais orgulho deu ao seu povo, a grande dama da literatura brasileira e matriarca de todos os que se ocupam da arte da escrita no nosso País, nossos calorosos cumprimentos, manifestando o desejo de vê-la, mais ainda, no ápice, com a jovialidade que se renova diariamente e, a exemplo de Manoel Bandeira, “louvo Rachel!”.

 

José Luis Lira