Francisco – O homem que se
tornou santo
Canindé,
desde criança, sempre exerceu fascínio sobre mim. No início,
pela devoção de meus pais a São Francisco (das Chagas de
Canindé, de Assis etc.), depois pela paixão por um dos mais
extraordinários santos da Igreja Católica.
Nesta
História, Canindé era como ponto central e desde cedo nos
preparávamos para ir àquela Cidade. Saíamos de madrugada do Sítio
Correios, em Guaraciaba do Norte para ir pedir a bênção a São
Francisco das Chagas.
Na
vida de um menino do interior aquilo era fascinante. Naquela época
só conhecia as cidades circunvizinhas a Guaraciaba; aquela
viagem era rumo ao místico, ao religioso e novo, pois lá só
íamos uma vez ao ano e era com ansiedade que lá chegávamos.
Algumas vezes fui até de pau-de-arara, acho que duas ou três
vezes e quando nos aproximávamos da Cidade, o fazíamos
cantando, rezando, se preparando para chegar à “Terra de São
Francisco”.
Hoje,
crescido, o fascínio continua. Mesmo conhecendo outras Cidades
onde também se têm grandes festas religiosas, acredito que em
nenhum outro lugar o Nordestino, o homem sofrido do sertão vai,
com tanta fé, ao encontro do Pai Francisco, para pedir perdão,
paz, resposta às suas indagações e até a cura dos seus malefícios.
É ali que isto acontece.
E
parece que o tempo parou... A mente fértil se embevece ao
imaginar: o que aconteceria se Francisco, o pobrezinho de Assis,
chegasse aqui? Será que seria reconhecido em meio aos seus irmãozinhos?
Fica o questionamento.
Só
que chegando à Praça da Municipalidade, o fantástico está
para acontecer. De repente, com a vênia da “irmã lua”, se
recria o ambiente assisiano. Ali, onde víamos romeiros,
turistas, canideenses, enfim, uma multidão incalculável,
comovida ao assistir a peça “Francisco, o homem que se tornou
santo”.
O
público presente era o mais variado possível. Víamos a
romeira, que cantava o Hino de São Francisco, o outro atento ao
conteúdo rico e variado da vida de Francisco, enquanto alguém
comentava: “olha ali. Aquele é o fulano”, uma vez que a
maior parte dos figurantes eram de Canindé e, conseqüentemente,
conhecido de grande parte do povo que lotava a praça.
Aos
poucos, temos uma síntese de toda a vida do Santo de Assis que
conquistou o mundo, com sua simplicidade e humilde, retratada no
trabalho de mais de 250 artistas, encenando o maior espetáculo
teatral a céu aberto do Ceará.
São
jovens de Canindé junto a artistas de sucesso do nosso Estado,
num trabalho no mínimo louvável e embora tendo eu assistido a
tantas peças de teatro, não pude deixar de permitir que a emoção
fluísse...
O
cenário era o mais perfeito. Aquela praça, iluminada pelos
holofotes e pelo astro que Francisco chamava “irmã lua”,
testemunhou a fé, a crítica cultural, ou simplesmente a
curiosidade. Não cabe enumerar todo o conteúdo da peça,
contudo uma coisa posso afirmar: não somos os mesmos depois que
a assistimos. São momentos fortes e emocionantes porque passara
o mais querido ou mais perfeito santo da cristandade, como o
encontro com os leprosos, quando Francisco ainda não tinha se
tornado santo.
Vale
a pena conferir, se emocionar e aplaudir esse grande espetáculo
da fé, coordenado por José Alberto Simonetti, dirigido por
Augusto Gigli e estreado por grande elenco, com destaque para
Roberto Real, que faz o papel de Francisco e Simone, que faz o
papel daquela senhora da nobreza solidária aos projetos de
Francisco. Ano que vem vou de novo. Parabéns aos organizadores,
atores e a todos os que realizaram “Francisco – O homem que
se tornou santo”!
José
Luís Araújo Lira
Bacharel
em Direito e Escritor
Membro
da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará –
ALMECE, Academia Camocinense de Letras, Sociedade Cearense de
Geografia e História e Associação de Jornalistas e Escritores
do Brasil – AJEB.
|