José Luis Lira

 

 

Francisco – O homem que se tornou santo

 

Canindé, desde criança, sempre exerceu fascínio sobre mim. No início, pela devoção de meus pais a São Francisco (das Chagas de Canindé, de Assis etc.), depois pela paixão por um dos mais extraordinários santos da Igreja Católica.

Nesta História, Canindé era como ponto central e desde cedo nos preparávamos para ir àquela Cidade. Saíamos de madrugada do Sítio Correios, em Guaraciaba do Norte para ir pedir a bênção a São Francisco das Chagas.

Na vida de um menino do interior aquilo era fascinante. Naquela época só conhecia as cidades circunvizinhas a Guaraciaba; aquela viagem era rumo ao místico, ao religioso e novo, pois lá só íamos uma vez ao ano e era com ansiedade que lá chegávamos. Algumas vezes fui até de pau-de-arara, acho que duas ou três vezes e quando nos aproximávamos da Cidade, o fazíamos cantando, rezando, se preparando para chegar à “Terra de São Francisco”.

Hoje, crescido, o fascínio continua. Mesmo conhecendo outras Cidades onde também se têm grandes festas religiosas, acredito que em nenhum outro lugar o Nordestino, o homem sofrido do sertão vai, com tanta fé, ao encontro do Pai Francisco, para pedir perdão, paz, resposta às suas indagações e até a cura dos seus malefícios. É ali que isto acontece.

E parece que o tempo parou... A mente fértil se embevece ao imaginar: o que aconteceria se Francisco, o pobrezinho de Assis, chegasse aqui? Será que seria reconhecido em meio aos seus irmãozinhos? Fica o questionamento.

Só que chegando à Praça da Municipalidade, o fantástico está para acontecer. De repente, com a vênia da “irmã lua”, se recria o ambiente assisiano. Ali, onde víamos romeiros, turistas, canideenses, enfim, uma multidão incalculável, comovida ao assistir a peça “Francisco, o homem que se tornou santo”.

O público presente era o mais variado possível. Víamos a romeira, que cantava o Hino de São Francisco, o outro atento ao conteúdo rico e variado da vida de Francisco, enquanto alguém comentava: “olha ali. Aquele é o fulano”, uma vez que a maior parte dos figurantes eram de Canindé e, conseqüentemente, conhecido de grande parte do povo que lotava a praça.

Aos poucos, temos uma síntese de toda a vida do Santo de Assis que conquistou o mundo, com sua simplicidade e humilde, retratada no trabalho de mais de 250 artistas, encenando o maior espetáculo teatral a céu aberto do Ceará.

São jovens de Canindé junto a artistas de sucesso do nosso Estado, num trabalho no mínimo louvável e embora tendo eu assistido a tantas peças de teatro, não pude deixar de permitir que a emoção fluísse...

O cenário era o mais perfeito. Aquela praça, iluminada pelos holofotes e pelo astro que Francisco chamava “irmã lua”, testemunhou a fé, a crítica cultural, ou simplesmente a curiosidade. Não cabe enumerar todo o conteúdo da peça, contudo uma coisa posso afirmar: não somos os mesmos depois que a assistimos. São momentos fortes e emocionantes porque passara o mais querido ou mais perfeito santo da cristandade, como o encontro com os leprosos, quando Francisco ainda não tinha se tornado santo.

Vale a pena conferir, se emocionar e aplaudir esse grande espetáculo da fé, coordenado por José Alberto Simonetti, dirigido por Augusto Gigli e estreado por grande elenco, com destaque para Roberto Real, que faz o papel de Francisco e Simone, que faz o papel daquela senhora da nobreza solidária aos projetos de Francisco. Ano que vem vou de novo. Parabéns aos organizadores, atores e a todos os que realizaram “Francisco – O homem que se tornou santo”!

 

 

José Luís Araújo Lira

Bacharel em Direito e Escritor

 

Membro da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará – ALMECE, Academia Camocinense de Letras, Sociedade Cearense de Geografia e História e Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil – AJEB.