José Luis Lira

 

 

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Esta História e seu autor

 

A História tem o caráter de universalidade por ser o registro da atividade humana, na qual estão incorporadas idéias e ações, razão e vocação, solidariedade e agressividade, muitos e diversos os autores, mas, indiscutivelmente, de uma só espécie, ora à procura dos ascendentes, em outros momentos investigando a evolução cultural da iniciação grupal à cultura da atualidade, em dimensão restrita ou na mais ampla possível; é uma concepção tanto mais valiosa quanto à expressão da verdade.

Neste ponto, ela requer a metodologia, indispensável a todo conhecimento dito científico, critério tomado de empréstimo à filosofia naturalista, por conseguinte baseado em leis imutáveis, reguladoras de fenômenos e, não, de fatos sociais; a certeza propriamente histórica depende, por sua vez, do tipo de observação direta da criação, pelo próprio homem, de registros devidamente autenticados, após submetidos à crítica do conteúdo e do respectivo suporte.

Justifica-se, por conseguinte, a profissionalização dos pesquisadores, narradores e professores de História, porém, considerado o caráter universalista desse conhecimento, impõe-se admitir, com esta justificação não menos conclusiva, a legitimidade, em qualquer caso, de uma vocação pessoal de busca de revelações do passado, voltando à aurora da civilização, cujo símbolo é a escrita e sua mais importante produção, a história.

A vocação é uma força indômita, uma energia incontida, não uma curiosidade ocasional, suscitada por interesse ou imitação, sem preconcebimento em algo impositivo, ou irrefletido suficientemente; daí admitir-se como requisito, indispensável a esse amante da verdade histórica, para esta atraído pela consciência da importância dela para a compreensão do processo evolutivo, cada vez mais complexo, do convívio social das pessoas, famílias, nações, povos e estados, da humildade, não raro em desencontro com aqueles formados em escolas superiores.

A este respeito, o jovem autor do livro ora em mãos do leitor espelha, com muita propriedade, o amante do conhecimento histórico, recorrendo, com o dito requisito indispensável, à apreciação de quem, Licenciado em História e Professor Titular da matéria por muitos anos, divisou um crítico honesto e competente, com quem se reuniu, em algumas tardes, durante horas, no Instituto do Ceará, analisando o texto, nesta segunda edição, acrescido em relação ao da primeira, aparecida em 1998, com desenvolvimento mantido nesta.

José Luís Araújo Lira – este o Autor – é Bacharel em Direito, formado pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR, para onde se transferiu da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, e escreveu com menos de vinte e cinco anos de idade, a monografia Ontem Campo Grande, hoje Guaraciaba do Norte, em atendimento à disciplina de Metodologia Científica da instituição onde está concluindo a formação para a atividade profissional na área da prática jurídica; nesse contexto, manifestou duplamente o apego ao Município onde nasceu ao qual, aliás, já prestou serviços relevantes, tanto à Paróquia como à Prefeitura, antes de fixar-se em Fortaleza, ora dedicado à atividade privada. Comprovado, pois, no estudo histórico e nas funções exercidas em proveito dos conterrâneos, a reiterada manifestação de amor telúrico.

No ano seguinte, deveu-lhe a história cearense, em particular a religiosa, o alentado trabalho biográfico O Levita do Senhor – A vida de Mons. Antonino Soares, mais uma vez recorrendo ao domínio das fontes escritas e orais, implicando em uma repercussão diante da qual se candidatou a uma cadeira vaga da Academia Cearense de Letras; não seria laureado então como titular dessa centenária instituição, porém outra, a Municipalista de Letras, lhe concedeu honraria semelhante, a exaltar-lhe as primícias de um talento a assegurar-lhe o renome na bibliografia cearense deste final de um milênio e início de outro.

No Prefácio para O Levita do Senhor, Dom José Bezerra Coutinho, Bispo Emérito de Estância, em Sergipe, vulto dos mais cultos do Episcopado no Brasil, consignou, da leitura respectiva, uma expressão a respeito de José Luís Araújo Lira, exaltando-lhe a simplicidade com a qual “... se revela um observador à altura das exigências dos tempos modernos.” É uma opinião certamente corroborada por qualquer leitor sem preconcebimento, com a qual o autor destas aligeiradas linhas confessa-se ainda mais honrado por uma distinção deveras preciosa para quem, sobretudo se dedica à história e deseja se multipliquem as pesquisas e as narrativas acerca  de  cada  município  cearense,  tratando-se,  como  se  trata,  de  uma tarefa imprescindível ao esclarecimento de muitos fatos ainda pouco estudados, a ser suprido, exatamente, pelo concurso de estudiosos como José Luís Araújo Lira, amante da arte de Heródoto e dos logógrafos helênicos.

 

Geraldo Nobre

Do Instituto Antropológico, Histórico e Geográfico do Ceará (Presidente pela 2a vez),  da Sociedade Cearense de Geografia e História, da Academia de Ciências Sociais do Ceará e da Associação Cearense de Imprensa, dentre outras.

 

 

A SErra da Ibiapaba

 

Nós, do Sertão Central, que é o espinhaço do Estado, nunca andamos à esquerda nem à direita, nos limitamos ao eixo Fortaleza-Cariri. Hoje lamento essa omissão; passei toda a vida sem conhecer a Ibiapaba: a Serra Grande, como é também chamada, separando o Ceará do Piauí.

Tratava-se da realização de um velho sonho meu – escalar a Ibiapaba, onde está encravado o Município de Guaraciaba do Norte, cuja História é contada no livro “Ontem Campo Grande, hoje Guaraciaba do Norte”, de autoria do amigo e escritor José Luís Araújo Lira.

Já a Serra de longe nos aparecia trazendo uma surpresa: sua lombada azul ascendia docemente e, lá em cima, formava uma linha quase contínua, horizontal, sem picos altos e precipícios. Após se fazer a suave escalada, seguia-se por uma estrada excelente, de fazer vergonha a todas as estradas federais e estaduais por onde costumo andar.

Alçados ao cocuruto da serra, parecia que estávamos numa rodovia comum, sem ladeiras nem subidas. E a visão para os dois lados, que me dizem era outrora impedida pela mata densa, hoje é caatinga baixa. E, naquela via alta e plana, de repente me deu a impressão de estar na Muralha da China, vendo a terra lá em baixo, do alto do meu bastião inexpugnável.

O casarão que ilustra a capa do livro, lembra a casa da Fazenda Não Me Deixes, em Quixadá –  meu predileto local de repouso.  É  interessantíssimo o

estudo da História dos Municípios e louvável, portanto, é qualquer trabalho nesse sentido, como o fez nosso José Luís Lira no presente livro.                                   

 

Rachel de Queiroz

Imortal das Academias Brasileira (a primeira mulher a ingressar na ABL), Cearense de Letras (tendo tomado posse no dia do Centenário da ACL), Municipalista de Letras do Estado do Ceará – ALMECE e Academia Camocinense de Letras, dentre outras.

 

   

À guisa de prefácio (Primeiro Volume) 

A indefinível multiplicidade de sensações que dominam nossa vida nos dias de hoje, quase não nos deixa oportunidade para refletir sobre nosso passado. A história cada vez mais se distancia das nossas preocupações, da nossa cultura. Trata-se, certamente, de um problema que merece ser encarado com maior profundidade. Pois,  se a projeção de nosso futuro repousa em nosso presente, é no passado que se cravam suas raízes. O futuro, assim, será sempre uma projeção do presente e um reflexo do passado.

Não há história desprovida de interesse. A vida decorrida em ambiente de grande singeleza ou cercada de lances heróicos, é sempre vívida motivação para nossos planos e projetos de ambicionado porvir.

É o que nos leva a crer na importância de despertar e promover nos jovens o desejo, a preocupação de perscrutar nosso passado, de conhecer e reviver nossa história. Para tanto, não resta dúvida, importa transpor barreiras e obstáculos. A pobreza de nossos arquivos e o desconhecimento de melhores  fontes de confiáveis informações tendem sempre a nos levar ao desânimo, à desistência da pesquisa histórica.

Tal, felizmente, foi o que não sucedeu com o jovem estudante José Luís Araújo Lira. Apresentando sua Monografia na Disciplina de Metodologia Científica da Universidade de Fortaleza sobre aspectos da história de seu   torrão natal, ele dá um belo exemplo: vence mil dificuldades, traz  à tona fatos históricos de maior interesse e, sobretudo, nos dá o testemunho de um grande amor a sua terra, a seu povo. Meus Parabéns!

 

Mons. Tibúrcio Gonçalves de Paula

Vigário Geral Emérito da Diocese de Tianguá, imortal da Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi Secretário de Educação do Município de Tianguá e Presidente da Casa de Cultura daquele Município.