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Esta
História e seu autor
A
História tem o caráter de universalidade por ser o registro da
atividade humana, na qual estão incorporadas idéias e ações,
razão e vocação, solidariedade e agressividade, muitos e
diversos os autores, mas, indiscutivelmente, de uma só espécie,
ora à procura dos ascendentes, em outros momentos investigando
a evolução cultural da iniciação grupal à cultura da
atualidade, em dimensão restrita ou na mais ampla possível; é
uma concepção tanto mais valiosa quanto à expressão da
verdade.
Neste
ponto, ela requer a metodologia, indispensável a todo
conhecimento dito científico, critério tomado de empréstimo
à filosofia naturalista, por conseguinte baseado em leis imutáveis,
reguladoras de fenômenos e, não, de fatos sociais; a certeza
propriamente histórica depende, por sua vez, do tipo de observação
direta da criação, pelo próprio homem, de registros
devidamente autenticados, após submetidos à crítica do conteúdo
e do respectivo suporte.
Justifica-se,
por conseguinte, a profissionalização dos pesquisadores,
narradores e professores de História, porém, considerado o caráter
universalista desse conhecimento, impõe-se admitir, com esta
justificação não menos conclusiva, a legitimidade, em
qualquer caso, de uma vocação pessoal de busca de revelações
do passado, voltando à aurora da civilização, cujo símbolo
é a escrita e sua mais importante produção, a história.
A
vocação é uma força indômita, uma energia incontida, não
uma curiosidade ocasional, suscitada por interesse ou imitação,
sem preconcebimento em algo impositivo, ou irrefletido
suficientemente; daí admitir-se como requisito, indispensável
a esse amante da verdade histórica, para esta atraído pela
consciência da importância dela para a compreensão do
processo evolutivo, cada vez mais complexo, do convívio social
das pessoas, famílias, nações, povos e estados, da humildade,
não raro em desencontro com aqueles formados em escolas
superiores.
A
este respeito, o jovem autor do livro ora em mãos do leitor
espelha, com muita propriedade, o amante do conhecimento histórico,
recorrendo, com o dito requisito indispensável, à apreciação
de quem, Licenciado em História e Professor Titular da matéria
por muitos anos, divisou um crítico honesto e competente, com
quem se reuniu, em algumas tardes, durante horas, no Instituto
do Ceará, analisando o texto, nesta segunda edição, acrescido
em relação ao da primeira, aparecida em 1998, com
desenvolvimento mantido nesta.
José
Luís Araújo Lira – este o Autor – é Bacharel em Direito,
formado pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR, para onde se
transferiu da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, e
escreveu com menos de vinte e cinco anos de idade, a monografia Ontem Campo Grande, hoje Guaraciaba do Norte, em atendimento à
disciplina de Metodologia Científica da instituição onde está
concluindo a formação para a atividade profissional na área
da prática jurídica; nesse contexto, manifestou duplamente o
apego ao Município onde nasceu ao qual, aliás, já prestou
serviços relevantes, tanto à Paróquia como à Prefeitura,
antes de fixar-se em Fortaleza, ora dedicado à atividade
privada. Comprovado, pois, no estudo histórico e nas funções
exercidas em proveito dos conterrâneos, a reiterada manifestação
de amor telúrico.
No
ano seguinte, deveu-lhe a história cearense, em particular a
religiosa, o alentado trabalho biográfico O
Levita do Senhor – A vida de Mons. Antonino Soares, mais
uma vez recorrendo ao domínio das fontes escritas e orais,
implicando em uma repercussão diante da qual se candidatou a
uma cadeira vaga da Academia Cearense de Letras; não seria
laureado então como titular dessa centenária instituição,
porém outra, a Municipalista de Letras, lhe concedeu honraria
semelhante, a exaltar-lhe as primícias de um talento a
assegurar-lhe o renome na bibliografia cearense deste final de
um milênio e início de outro.
No
Prefácio para O Levita do Senhor, Dom José Bezerra Coutinho, Bispo Emérito de
Estância, em Sergipe, vulto dos mais cultos do Episcopado no
Brasil, consignou, da leitura respectiva, uma expressão a
respeito de José Luís Araújo Lira, exaltando-lhe a
simplicidade com a qual “... se revela um observador à altura
das exigências dos tempos modernos.” É uma opinião
certamente corroborada por qualquer leitor sem preconcebimento,
com a qual o autor destas aligeiradas linhas confessa-se ainda
mais honrado por uma distinção deveras preciosa para quem,
sobretudo se dedica à história e deseja se multipliquem as
pesquisas e as narrativas acerca
de cada
município cearense,
tratando-se, como se
trata, de
uma tarefa imprescindível ao esclarecimento de muitos
fatos ainda pouco estudados, a ser suprido, exatamente, pelo
concurso de estudiosos como José Luís Araújo Lira, amante da
arte de Heródoto e dos logógrafos helênicos.
Geraldo
Nobre
Do
Instituto Antropológico, Histórico e Geográfico do Ceará
(Presidente pela 2a vez),
da Sociedade Cearense de Geografia e História, da
Academia de Ciências Sociais do Ceará e da Associação
Cearense de Imprensa, dentre outras.
A
SErra da Ibiapaba
Nós,
do Sertão Central, que é o espinhaço do Estado, nunca andamos
à esquerda nem à direita, nos limitamos ao eixo
Fortaleza-Cariri. Hoje lamento essa omissão; passei toda a vida
sem conhecer a Ibiapaba: a Serra Grande, como é também
chamada, separando o Ceará do Piauí.
Tratava-se
da realização de um velho sonho meu – escalar a Ibiapaba,
onde está encravado o Município de Guaraciaba do Norte, cuja
História é contada no livro “Ontem Campo Grande, hoje
Guaraciaba do Norte”, de autoria do amigo e escritor José Luís
Araújo Lira.
Já
a Serra de longe nos aparecia trazendo uma surpresa: sua lombada
azul ascendia docemente e, lá em cima, formava uma linha quase
contínua, horizontal, sem picos altos e precipícios. Após se
fazer a suave escalada, seguia-se por uma estrada excelente, de
fazer vergonha a todas as estradas federais e estaduais por onde
costumo andar.
Alçados
ao cocuruto da serra, parecia que estávamos numa rodovia comum,
sem ladeiras nem subidas. E a visão para os dois lados, que me
dizem era outrora impedida pela mata densa, hoje é caatinga
baixa. E, naquela via alta e plana, de repente me deu a impressão
de estar na Muralha da China, vendo a terra lá em baixo, do
alto do meu bastião inexpugnável.
O
casarão que ilustra a capa do livro, lembra a casa da Fazenda Não
Me Deixes, em Quixadá –
meu predileto local de repouso.
É interessantíssimo
o
estudo
da História dos Municípios e louvável, portanto, é qualquer
trabalho nesse sentido, como o fez nosso José Luís Lira no
presente livro.
Rachel
de Queiroz
Imortal
das Academias Brasileira (a primeira mulher a ingressar na ABL),
Cearense de Letras (tendo tomado posse no dia do Centenário da
ACL), Municipalista de Letras do Estado do Ceará – ALMECE e
Academia Camocinense de Letras, dentre outras.
À
guisa de prefácio
(Primeiro
Volume)
A
indefinível multiplicidade de sensações que dominam nossa
vida nos dias de hoje, quase não nos deixa oportunidade para
refletir sobre nosso passado. A história cada vez mais se
distancia das nossas preocupações, da nossa cultura. Trata-se,
certamente, de um problema que merece ser encarado com maior
profundidade. Pois, se
a projeção de nosso futuro repousa em nosso presente, é no passado
que se cravam suas raízes. O futuro, assim, será sempre uma
projeção do presente e um reflexo do passado.
Não
há história desprovida de interesse. A vida decorrida em
ambiente de grande singeleza ou cercada de lances heróicos, é
sempre vívida motivação para nossos planos e projetos de
ambicionado porvir.
É
o que nos leva a crer na importância de despertar e promover
nos jovens o desejo, a preocupação de perscrutar nosso
passado, de conhecer e reviver nossa história. Para tanto, não
resta dúvida, importa transpor barreiras e obstáculos. A
pobreza de nossos arquivos e o desconhecimento de melhores
fontes de confiáveis informações tendem sempre a nos
levar ao desânimo, à desistência da pesquisa histórica.
Tal,
felizmente, foi o que não sucedeu com o jovem estudante José
Luís Araújo Lira. Apresentando sua Monografia na Disciplina de
Metodologia Científica da Universidade de Fortaleza sobre
aspectos da história de seu
torrão natal, ele dá um belo exemplo: vence mil
dificuldades, traz à
tona fatos históricos de maior interesse e, sobretudo, nos dá
o testemunho de um grande amor a sua terra, a seu povo. Meus
Parabéns!
Mons.
Tibúrcio Gonçalves de Paula
Vigário
Geral Emérito da Diocese de Tianguá, imortal da Academia
Sobralense de Estudos e Letras, foi Secretário de Educação do
Município de Tianguá e Presidente da Casa de Cultura daquele
Município.
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