José Luis Lira apresenta:

 

 

 

 

 

Adeus, Sinhá D’Amora

 

 

           Às 19h30min. de ontem (domingo), enquanto aguardava o táxi para ir à Rodoviária, estranhamente uma tristeza inexplicável invadiu a mim e Matusahila Santiago. Rimos e achamos que fosse porque eu estava voltando para Guaraciaba, contudo, não sabíamos a razão, o porque da tristeza. Exatamente naquele momento, a maior dama da arte neste País, Fideralina Corrêa de Amora Maciel, natural de Lavras da Mangabeira, conhecida por Sinhá D’Amora, aos 96 anos, partiu.
           Foi ao encontro d’ele (Dr. Amora Maciel, seu único e grande amor), nos deixou. E aquela desolação que nos invade quando perdemos alguém que amamos se faz presente. Perdemos nossa grande artista; de luto estão as artes plásticas que a ela eram ligadas tanto por formação, quanto por vocação, pois ela passara pela Escola Nacional de Belas Artes e, mais tarde, de Florença – pertenceu à Academia Nacional de Belas Artes e se filiou, segundo ela própria, a todas as escolas: expressionista, cubista etc. –) contudo, mais importante que isso, era possuir o dom de Deus – dádiva do criador à menina que foi a oradora predileta de sua avó, D. Fideralina, de quem herdara o nome e a determinação, se tornando a mais respeitada artista plástica de sua geração.
           Escolhida Artista Plástica do Século, teve sua obra reconhecida internacionalmente, o que a fez detentora inúmeras premiações e a firmaram ter sido a artista plástica que mais divulgou as cores e temáticas nordestinas. Dentre suas premiações destacam-se a Ordem do Mérito Nacional e os Troféus Bárbara de Alencar, da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza (FUNCET)/ Prefeitura Municipal de Fortaleza e Sereia de Ouro, do Grupo Verdes Mares de Comunicação. 
          Sinhá D’Amora já saudosa, aclamada primeira dama das artes no Brasil, por Rachel de Queiroz, se une mais uma vez ao jurista e escritor Amora Maciel, que pertenceu há várias entidades literárias espalhadas pelo Brasil, pois no mesmo jazigo estarão a partir de hoje. Lembro-me da última vez que a vi e falamos sobre morte e ela demonstrou claramente que queria ficar no Rio, junto de Amora Maciel, a quem tanto amou.
        Hoje, um dia depois do início do mês mais importante para a cristandade, nosso amigo comum Cláudio Pereira, seu maior fã e admirador, deu-me a notícia triste da partida da Sinhá. Choramos sua ausência, tanto na qualidade de amigos quanto na condição de confrades que o éramos na Academia de Letras Municipais do Estado do Ceará e na Academia Fortalezense de Letras (sua última homenagem recebida em vida), mas temos certeza de que ela está feliz por reencontrar-se com aqueles que tanto amou. Sei que o Paraíso estará mais colorido com sua presença.
        Seu contributo às artes no País não será esquecido e a Academia Fortalezense de Letras ganha sua primeira Patronesse após sua fundação. Sinhá D’Amora, conforme previsão estatutária, será a patrona da Cadeira que naquele Silogeu ocupou.
         Adeus, Sinhá.
         

                                                     José Luis Lira

 

 

Membro da OAB/CE., Academia de Letras Municipais do Estado do Ceará - ALMECE, Academia Camocinense de Letras, Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, Sociedade Cearense de Geografia e História e Sócio Fundador da Academia Fortalezense de Letras.



 

E-mail: j.llira@bol.com.br

Entrevista com Sinhá D'Amora