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Loucos
de Deus
Quando criança,
meu grande sonho era ser sacerdote. Acho que a
figura santa de Mons. Antonino Soares, me serviu de exemplo e
modelo. Os
tempos passaram e o menino que colecionava estampas de santos e
servia de
acólito nas celebrações, tomou outro rumo.
Talvez se
estivesse na Igreja, já fosse padre, uma vez que em maio
último, um colega de turma se ordenou e eu muito me emocionei
com sua
ordenação. Parecia que o passado, inexplicavelmente, estava de
volta.
Hoje, advogado
e escritor, fico me recordando daqueles tempos e
quão
importante foi a formação religiosa rigorosa que tive e, mais
ainda, o
privilégio da aquisição de uma cultura humanística e cristã.
Fico me
questionando como seria a vida lá. Recordo de tudo isso,
depois de um imerecido elogio que recebi, partido de uma pessoa
tão sensata,
célebre e preeminente, o Príncipe dos Poetas Cearenses, Artur
Eduardo Benevides.
Terminada a
Sessão Solene de Posse dos Membros da Academia
Fortalezense de Letras, fundada por mim e por Matusahila
Santiago, o Dr.
Artur se dirigiu a nós, nos chamando de "Loucos de
Deus". Esse seu elogio,
para mim, não desprezando o brilho da festa, foi da maior
significação e
veio como prêmio pelo trabalho findado. Sei que não tenho méritos
para assim
ser chamado, mas ao Pai Francisco, maior Santo da Igreja Católica
e
verdadeiro "Louco de Deus", e ao próprio Deus, agradeço
por mais esta
oportunidade e que isto não me sirva de envaidecimento, apenas
de estímulo.
Agora, quase um
mês após aquele belíssimo acontecimento, o amigo e
confrade Cláudio Pereira, um dos maiores promotores da Cultura
nesta Terra
da Luz, me dá uma notícia tão alvissareira que me demorei a
acreditar.
Cláudio Pereira me informou que o Vereador Rogério Pinheiro, Líder
do PSB na
Câmara de Vereadores de Fortaleza, propôs àquela Augusta
Casa, a outorga da
Medalha Boticário Ferreira para mim e Matusahila Santiago.
De início,
quase não acreditei e, só posso mesmo lembrar do que disse eu no discurso de posse da primeira Academia fundada neste
novo
Milênio, no Ceará, citando Mons. Antonino Soares: "Uma
das coisas mais
agradáveis ao agricultor é quando lhe chega a oportunidade de
colher os
primeiros frutos do seu trabalho. A primeira colheita é sempre
a mais
alvissareira porque é o início de uma compensação futura às
canseiras, às
preocupações, ao trabalho enfim".
Nós,
imensamente felizes ficamos e gratos nos fazemos ao Cláudio
Pereira, nosso tão querido amigo, ao Vereador Rogério
Pinheiro, aos demais Vereadores que apoiaram a iniciativa, aos amigos que conosco se
felicitaram,
a todos enfim, mas, o agradecimento não ficaria completo se nos
esquecêssemos Daquele que é a razão de existirmos, DEUS,
Autor da Vida.
Vejo nessa
proposição mais uma razão para dizer que valeu criar a
Academia Fortalezense de Letras e é a ela que Matusahila e eu,
seus
fundadores, dedicamos essa Comenda: a maior desta "Loura
desposada do sol",
Fortaleza, tão amada por nós e pelos tantos que aqui chegam e
procuram
exaltar a grandeza desta Metrópole, cujo coração está
plantado na Praça que
leva o nome do homenageado na insigne Comenda, Boticário
Ferreira.
Todavia, urge um
questionamento: qual das duas honrarias seria
maior? E
volto a lembrar de Francisco que deixou tudo para ser
"Louco de Deus" e
talvez nesta lembrança encontre a solução ou a resposta.
José Luís Lira
Advogado e escritor
Membro da
OAB/CE., Academia de Letras Municipais do Estado do
Ceará - ALMECE, Academia Camocinense de Letras, Associação de
Jornalistas e
Escritores do Brasil, Sociedade Cearense de Geografia e História
e Sócio
Fundador da Academia Fortalezense de Letras, dentre outras.
E-mail: j.llira@bol.com.br
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