José Luis Lira apresenta:

       

Loucos de Deus




         Quando criança, meu grande sonho era ser sacerdote. Acho que a figura santa de Mons. Antonino Soares, me serviu de exemplo e modelo. Os tempos passaram e o menino que colecionava estampas de santos e servia de acólito nas celebrações, tomou outro rumo.
         Talvez se estivesse na Igreja, já fosse padre, uma vez que em maio último, um colega de turma se ordenou e eu muito me emocionei com sua ordenação. Parecia que o passado, inexplicavelmente, estava de volta.
         Hoje, advogado e escritor, fico me recordando daqueles tempos e quão importante foi a formação religiosa rigorosa que tive e, mais ainda, o privilégio da aquisição de uma cultura humanística e cristã.
         Fico me questionando como seria a vida lá. Recordo de tudo isso, depois de um imerecido elogio que recebi, partido de uma pessoa tão sensata, célebre e preeminente, o Príncipe dos Poetas Cearenses, Artur Eduardo Benevides.

         Terminada a Sessão Solene de Posse dos Membros da Academia Fortalezense de Letras, fundada por mim e por Matusahila Santiago, o Dr. Artur se dirigiu a nós, nos chamando de "Loucos de Deus". Esse seu elogio, para mim, não desprezando o brilho da festa, foi da maior significação e veio como prêmio pelo trabalho findado. Sei que não tenho méritos para assim ser chamado, mas ao Pai Francisco, maior Santo da Igreja Católica e
verdadeiro "Louco de Deus", e ao próprio Deus, agradeço por mais esta oportunidade e que isto não me sirva de envaidecimento, apenas de estímulo.
         Agora, quase um mês após aquele belíssimo acontecimento, o amigo e confrade Cláudio Pereira, um dos maiores promotores da Cultura nesta Terra da Luz, me dá uma notícia tão alvissareira que me demorei a acreditar.
Cláudio Pereira me informou que o Vereador Rogério Pinheiro, Líder do PSB na Câmara de Vereadores de Fortaleza, propôs àquela Augusta Casa, a outorga da Medalha Boticário Ferreira para mim e Matusahila Santiago.
         De início, quase não acreditei e, só posso mesmo lembrar do que disse eu no discurso de posse da primeira Academia fundada neste novo Milênio, no Ceará, citando Mons. Antonino Soares: "Uma das coisas mais agradáveis ao agricultor é quando lhe chega a oportunidade de colher os primeiros frutos do seu trabalho. A primeira colheita é sempre a mais alvissareira porque é o início de uma compensação futura às canseiras, às preocupações, ao trabalho enfim".
          Nós, imensamente felizes ficamos e gratos nos fazemos ao Cláudio Pereira, nosso tão querido amigo, ao Vereador Rogério Pinheiro, aos demais Vereadores que apoiaram a iniciativa, aos amigos que conosco se felicitaram, a todos enfim, mas, o agradecimento não ficaria completo se nos esquecêssemos Daquele que é a razão de existirmos, DEUS, Autor da Vida.
         Vejo nessa proposição mais uma razão para dizer que valeu criar a Academia Fortalezense de Letras e é a ela que Matusahila e eu, seus fundadores, dedicamos essa Comenda: a maior desta "Loura desposada do sol", Fortaleza, tão amada por nós e pelos tantos que aqui chegam e procuram exaltar a grandeza desta Metrópole, cujo coração está plantado na Praça que leva o nome do homenageado na insigne Comenda, Boticário Ferreira.
        Todavia, urge um questionamento: qual das duas honrarias seria maior? E volto a lembrar de Francisco que deixou tudo para ser "Louco de Deus" e talvez nesta lembrança encontre a solução ou a resposta.


                                             José Luís Lira
                                         Advogado e escritor

         Membro da OAB/CE., Academia de Letras Municipais do Estado do Ceará - ALMECE, Academia Camocinense de Letras, Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, Sociedade Cearense de Geografia e História e Sócio Fundador da Academia Fortalezense de Letras, dentre outras.

 

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