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Discurso
de Posse na Academia Fortalezense de
Letras
Sr. Presidente de Honra e Príncipe
dos Poetas Cearenses, Dr. Artur Eduardo Benevides;
Sr. Presidente, Dr. Cid Sabóia
de Carvalho;
Sra. Vice-Presidente, Dra.
Matusahila Santiago;
Sr. Representante do Prefeito
Municipal, Dr. José Maria Barros Pinho;
Sra. Representante do Secretário
Estadual de Cultura, Dra. Natércia Campos;
Senhores Acadêmicos, que saúdo
na pessoa da Dra. Regina Pamplona Fiúza;
Senhores Sócios Honorários,
que saúdo na pessoa do Dom José Bezerra Coutinho;
Senhores convidados;
Senhoras e Senhores;
Terminado
seu memorável Dom Quixote
de La Mancha, Miguel de Cervantes, ao traçar-lhe a introdução,
afirmou: “... apesar de
me haver custado algum trabalho a composição desta história,
foi contudo o maior de todos, fazer esta prefação...”,
poderia eu fazer minha, tal afirmação, em face da dificuldade
que se faz revestida de grande responsabilidade, neste instante
em que pronuncio a Oração de Agradecimento, em meu nome e nos
de meus tão preeminentes confrades. Nós, que juntos, compomos
o quadro de Acadêmicos da Academia Fortalezense de Letras, a
primeira Academia de Letras, criada neste novo Milênio, na
terra que sedia a mais antiga Academia de Letras deste Solo Pátrio
– a gloriosa Academia Cearense de Letras.
Por
outro lado, as palavras do Bruxo do Cosme Velho – Machado de
Assis –, em seu Discurso de Posse na condição de primeiro
Presidente da Academia Brasileira de Letras, servem-nos de
inspiração quanto à criação desta Academia: “Não
é preciso definir esta instituição, iniciada por um moço,
aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma
nova, naturalmente ambiciosa...”.
Enquanto
o sábio ensinamento do inesquecível Mons. Antonino Soares,
povoa minha mente: “Uma
das coisas mais agradáveis ao agricultor é quando lhe chega a
oportunidade de colher os primeiros frutos do seu trabalho. A
primeira colheita é sempre a mais alvissareira porque é o início
de uma compensação futura às canseiras, às preocupações,
ao trabalho enfim”.
Neste
dia de hoje, minha amiga e colega de profissão Matusahila de
Souza Santiago e eu, sentimo-nos na pele desse agricultor, ante
a realização de um sonho, a mim apresentado em forma de
desafio, durante as comemorações dos 276 anos de Fortaleza:
fundar a Academia Fortalezense de Letras.
Desde
então, passei a nutrir um amor paternal pela Academia
Fortalezense e em tudo me empenhei para vê-la concretizada.
Para tanto, tratamos de elaborar conjuntamente seu Estatuto,
quadro de patronos e Acadêmicos, onde temos representantes de
todas as Entidades Culturais existentes nesta Terra,
profissionais liberais, escritores, poetas, sacerdotes e pessoas
que trabalham em prol do desenvolvimento de Fortaleza, enfim, de
quase todos os seguimentos da Sociedade Cearense.
Nós,
nascidos noutras plagas desta Terra da Luz e que, em aqui
chegando, passamos a amar esta Cidade, como se nossa fosse,
consideramos todas as homenagens insuficientes para ressaltar a
grandeza desta Metrópole, cujo coração está plantado aqui
bem próximo, na Praça que leva o nome do Boticário Ferreira,
ele que patronea uma das cadeiras desta novel Academia.
Matusahila Santiago e eu, somos naturais das cidades serranas de
Aratuba, no Baturité, e Guaraciaba do Norte, na Ibiapaba,
respectivamente, mas aqui afeitos, nos propusemos a dar vida à
Academia Fortalezense de Letras, que surge no limiar da era da
informática e dos variados avanços científicos, numa forma de
homenagear e demonstrar nosso amor a essa Terra de tantas
celebridades, dentre as quais, José de Alencar e Rachel de
Queiroz, por nascimento, Artur Eduardo Benevides e Martins
Filho, por adoção.
O
local de nascimento da Academia Fortalezense, não poderia ser
outro, senão este majestoso Palácio da Luz, antiga Sede do
Governo e atualmente, Sacrário da Cultura e das Letras
Cearenses. Cá chegamos, ansiosos por ouvir a palavra do Mestre Artur Eduardo Benevides, maior
poeta do Ceará, com sua experiência de homem de letras, e
recebemos a acolhida majestática do Príncipe dos Poetas
Cearenses, que passou a ser um dos maiores incentivadores da
Academia Fortalezense de Letras e ofereceu, não somente seu
apoio, mas também presenteou-nos com uma madrinha, ao indicar a
confreira e amiga Regina Fiúza para, juntamente com o confrade
Murilo Martins, compor a Comissão Organizadora da nova
Academia. A Regina Pamplona Fiúza, Matusahila Santiago e aos
demais membros da Diretoria, o merecido reconhecimento,
pelo empenho dedicado à causa da Academia.
É
este o momento de agradecer e de nos alegrarmos, em face dessa
realização, que tanto orgulho nos dá, a todos os que dela
fazemos parte. E em nós, Matusahila Santiago e eu, que
idealizamos e, juntamente com o Dr. Artur Eduardo
Benevides, Dr. Murilo Martins e Dra. Regina Fiúza, compusemos e
formamos este Silogeu, o sentimento de dever cumprido, nos
moldes do salientado por São Paulo, no Texto Bíblico, nos
invade, pois “combatemos
o bom combate, terminamos nossa missão e guardamos a fé”.
Este sentimento aflora, nos fazendo ser gratos a todos os
membros desta Academia; àqueles que mais de perto acompanharam
o desenvolvimento dos trabalhos, especialmente aos nossos
familiares e amigos, aos componentes da Comissão Organizadora,
antes nominados, ao confrade e amigo Cláudio Pereira, aos
tantos quantos concorreram para o preenchimento dessa lacuna no
Movimento Cultural Cearense –a Academia Fortalezense de Letras
e, muito particularmente, ao Onipotente Autor da Criação –
Deus, que nos permitiu tal façanha.
Começamos
com quarenta Sócios-Fundadores e aos nossos Patronos, todos
ligados à História desta Urbe, rendemos nossos tributos de glória,
por seus indeléveis feitos. Eles que, em respeito à simbologia
da imortalidade literária, ocuparão lugar de destaque nas
Cadeiras, de modo que todos os que doravante forem eleitos, a
eles farão merecidas referências. Isto nos faz refletir o que
diz Rachel de Queiroz, nosso maior símbolo de cearensidade: “Afinal
os símbolos representam nossa luta contra as durezas da
realidade”.
Em
prova de reconhecimento, visando perenizar o trabalho e valor
cultural de Artur Eduardo Benevides, Príncipe dos Poetas
Cearenses, reconhecido internacionalmente, e nosso Presidente de
Honra; de Rachel de Queiroz, primeira mulher a ingressar na
Academia Brasileira de Letras e maior escritora do Brasil, desde
que se foi Machado de Assis; de Antonio Martins Filho, baluarte
do Ensino Superior Cearense e Reitor dos Reitores; de Sinhá
D’Amora, nossa grande artista plástica, primeira mulher
cearense a se imortalizar na Academia Nacional de Belas-Artes e,
finalmente, de Eduardo Campos, legenda do folclore cearense,
dramaturgo de renome nacional, jornalista e escritor, os fizemos
integrar o Quadro patroneado por José de Alencar, o de Acadêmicos
de Honra e, ao mesmo tempo, Patronos das Cadeiras que ocupam,
pois seus sucessores, os terão por Patronos.
Desta
data em diante, estamos certos de que asseguramos nosso lugar na
História do berço do maior romancista do Brasil, José de
Alencar e do fundador da Poesia Popular Brasileira, Juvenal
Galeno, em cuja Casa, Matusahila Santiago e eu, nascemos para a
Cultura Alencarina, nesta Terra abençoada onde tantos outros
nasceram ou foram acolhidos e se eternizaram nas memórias dos
que os conheceram e dos que, mesmo sem conhecê-los fisicamente,
aprenderam a admirá-los.
Que
o nosso dístico, tão bem elaborado pelo Prof. Antonio Pessoa
Pereira, “E pluribus,
mens una”, represente o surgimento da predominância de um
só pensamento: o desenvolvimento da cultura. Este foi o lema
acoplado ao nosso Brasão, por mim idealizado, inspirado na
escultura de Iracema Guardiã, do célebre e inesquecível Zenon
Barreto, a quem prestamos merecida homenagem.
Almejamos,
por fim, que nós e nossos sucessores, possamos dar continuidade
ao trabalho ora iniciado, sob a sombra do Forte, lembrando de
Iracema, a lendária mãe do primeiro cearense. E aos pés da
protetora de Fortaleza, Nossa Senhora da Assunção, depositamos
a Academia Fortalezense de Letras e seu futuro, recordando os
dizeres do Mons. Joaquim Arnóbio de Andrade: “O
importante não é só começar bem, mas terminar bem”.
Muito Obrigado
José Luís Araújo Lira
Fortaleza, 26 de setembro de 2002.
E-mail: j.llira@bol.com.br
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