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Ao Diário do Nordeste
Coluna Idéias
ATT. Dr. Wilhame Moura
Queimadas
O inverno ainda nem se anunciou
direito, mas o sertanejo, o serrano, porque não dizer o
agricultor como um todo, começa a fazer queimadas.
Ao percorrer o trecho
Fortaleza/Guaraciaba do Norte, o que faço com freqüência,
aqui ou ali percebemos a presença das queimadas, tão
prejudiciosas ao meio ambiente.
Às vezes não conseguimos
compreender o porque do aumento da temperatura – ou a escassez
do inverno, que gera até mesmo o indesejado apagão -, mas sua
fonte se encontra no desmatamento desregrado, promovido pelo
maior predador do mundo – o homem.
Fico me questionando porque as dádivas
do progresso não chegam para sanar essa situação.
Encontram-se remédios para doenças, a solução de variados
problemas etc., mas a conscientização ao homem de que ele
mesmo está acabando o seu habitat, esta é muito difícil.
Nos mais variados pontos, vemos
antenas parabólicas instaladas, a energia espalhada nos locais
nunca dantes imaginados, mas, a conscientização da preservação
necessária do meio ambiente, esta parece vir a passos lentos e
dá-nos a impressão de que não vai chegar.
Todos somos vítimas da predação
promovida por alguns que levam dias de serviço, desmatando,
queimando, a fim de plantar e mal sabem eles que as riquezas
naturais estão indo embora e que elas não são renováveis.
Se o homem do campo não se
concretizar de que o mesmo só tem prejuízo com as queimadas e
devastação da natureza, não sei o que sobrará para os nossos
netos apreciarem, nem mesmo se ainda teremos vida, a considerar
a quantidade delas que são perdidas em cada queimada.
Já vinha pensando em escrever
sobre o assunto, contudo falei tudo isto para denunciar a minha
indignação com o incêndio de que foi vítima o sítio Monte
Alegre, de minha família, em Guaraciaba do Norte, situado
dentro da Área de Preservação da Ibiapaba – APA.
Sem saber de onde veio, o incêndio
devastou boa parte do nosso apreciado recanto serrano. A
fragilidade nossa em conter tal incêndio dá-nos uma revolta e
fez-nos chamar os vizinhos e explicar-lhes os malefícios que
uma queimada traz e alertá-los quanto à culpabilidade de cada
um ante uma situação inusitada e irresponsável dessas.
Com lágrimas nos olhos agente
percorre o lugar onde verde reinava e que em pouco mais de duas
horas ficou devastado, mas, nem tudo está acabado. O replantio
já está sendo preparado, os vizinhos e trabalhadores alertados
para as medidas a serem tomadas caso permaneça essa famigerada
ação que podemos dizer criminosa – a queimada.
José Luis Lira
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