José Luis Lira

 

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Ao Diário do Nordeste

Coluna Idéias

ATT. Dr. Wilhame Moura

 

 

Queimadas

 

 

O inverno ainda nem se anunciou direito, mas o sertanejo, o serrano, porque não dizer o agricultor como um todo, começa a fazer queimadas.

Ao percorrer o trecho Fortaleza/Guaraciaba do Norte, o que faço com freqüência, aqui ou ali percebemos a presença das queimadas, tão prejudiciosas ao meio ambiente.

Às vezes não conseguimos compreender o porque do aumento da temperatura – ou a escassez do inverno, que gera até mesmo o indesejado apagão -, mas sua fonte se encontra no desmatamento desregrado, promovido pelo maior predador do mundo – o homem.

Fico me questionando porque as dádivas do progresso não chegam para sanar essa situação. Encontram-se remédios para doenças, a solução de variados problemas etc., mas a conscientização ao homem de que ele mesmo está acabando o seu habitat, esta é muito difícil.

Nos mais variados pontos, vemos antenas parabólicas instaladas, a energia espalhada nos locais nunca dantes imaginados, mas, a conscientização da preservação necessária do meio ambiente, esta parece vir a passos lentos e dá-nos a impressão de que não vai chegar.

Todos somos vítimas da predação promovida por alguns que levam dias de serviço, desmatando, queimando, a fim de plantar e mal sabem eles que as riquezas naturais estão indo embora e que elas não são renováveis.

Se o homem do campo não se concretizar de que o mesmo só tem prejuízo com as queimadas e devastação da natureza, não sei o que sobrará para os nossos netos apreciarem, nem mesmo se ainda teremos vida, a considerar a quantidade delas que são perdidas em cada queimada.

Já vinha pensando em escrever sobre o assunto, contudo falei tudo isto para denunciar a minha indignação com o incêndio de que foi vítima o sítio Monte Alegre, de minha família, em Guaraciaba do Norte, situado dentro da Área de Preservação da Ibiapaba – APA.

Sem saber de onde veio, o incêndio devastou boa parte do nosso apreciado recanto serrano. A fragilidade nossa em conter tal incêndio dá-nos uma revolta e fez-nos chamar os vizinhos e explicar-lhes os malefícios que uma queimada traz e alertá-los quanto à culpabilidade de cada um ante uma situação inusitada e irresponsável dessas.

Com lágrimas nos olhos agente percorre o lugar onde verde reinava e que em pouco mais de duas horas ficou devastado, mas, nem tudo está acabado. O replantio já está sendo preparado, os vizinhos e trabalhadores alertados para as medidas a serem tomadas caso permaneça essa famigerada ação que podemos dizer criminosa – a queimada.

 

 

                                             José Luis Lira