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 HERÓI DO COTIDIANO em:

 

              “Ah! Como é belo o Amor!”  

 

   

 

     Aquela havia sido uma noite tranqüila. Acordamos bem  juntinhos e senti suas mãos pequeninas acariciar-me. Abri os olhos e olhei ainda meio sonolento a companheira amada , tal qual uma musa encantadora, ali, ao meu lado. Senti-me feliz ao tê-la comigo; a companheira constante de momentos difíceis ou de ocasiões alegres. É bom acordar ao lado da mulher amada e receber aquele bom dia sem palavras, mas com olhar gostoso e cheio de promessas amorosas, sem os problemas do dia a dia. Gostamos muito, por isso,da manhã. E foi neste momento de magia que um clima amoroso se instalou mais fortemente e “de repente, não mais que de repente”, (Vinícius de Morais), sentia -a  em meus braços, voluptuosa, cheia de amor e muito  mais...   

            “Riiiiiinnnng, Riiiiiinnnng, Riiiiiinnnng”- Era o maldito  telefone, mais uma vez tinha me esquecido de desliga-lo. Explico: Coloquei uma chave elétrica, no quarto, desconectando o telefone da alcova e assim só funciona o da sala e o da cozinha. – Atendi  à contragosto, afinal o pequeno circo formado nos “lençóis macios” (Roberto Carlos) estava desmontado, o clima havia sido profanado, e o jeito era calar aquele intrometido aparelho de comunicação – Era da Casa de Cultura. A Caetana que foi logo dizendo: Roberto, a Beth pergunta  se você pode dar uma passadinha aqui para ver o computador? – Claro que  posso. Assim que  terminar um trabalhinho que iniciei aqui, eu vou.

            Recoloquei  o impiedoso no gancho desliguei a chave “anti-empata” (assim  foi apelidada, pois desligava o fone e ninguém mais poderia chamar),  e abracei  Aninha com carinho  tentando  reconstruir o momento amoroso, prêmio merecido de um casamento feliz. Não foi muito difícil voltar aos braços  de  Cupido e as coisas estavam  quentes  quando um carro de som  passou.... Era um barulho infernal! A cama quase vibrava na freqüência do som que ultrapassava os 70 decibéis. Fiz-me de besta e tentei ignorá-lo afinal eram poucos minutos,  e ele logo passaria. Envolvido nos braços amorosos de uma deusa que, nas horas de folga, é professora no Colégio Gal. Campos, cavalgava, (Roberto Carlos),  feliz por estradas coloridas quando  fortes batidas na porta do quarto quase atirou-me ao chão.

            -Papai ! papai  é o telefone ! Para você!  Não resisti. Zanguei-me e gritei sem interromper a “Cavalgada”: - Porra! Rozinha. Papai está dormindo! Não estou para ninguém! Saí!

            “Agarrei-me aos seus cabelos para não cair do seu galope” (ainda Roberto Carlos ) e, apesar dos contratempos, conseguimos chegar a um “Final feliz”(Rita Lee).

            Mais tarde, um delicioso chuveiro, morno é claro, detesto banho frio, um café da manhã e pergunto à minha filha  Rozinha , querida, que história foi esta de acordar o papai hoje de manhã?

        - Oh, papai!  era a Clarissa Reis, lá de Curitiba, por isso eu chamei...

        - Desculpe, querida, papai  ficou bravo! falei meio sem jeito... 

        - Com mil leões, preciso ligar para a “Clá” e me desculpar por não ter falado com  ela... Motivo  justo! jusssimo! ( "ti " daquele nordestino, com a língua batendo no céu da boca ou nos dentes!)

            Não sei por que mas, às vezes, fazer um pouquinho de  “amor permitido” dá um trabalho danado, o que nos faz, de vez em quando, dar um pulinho ali no  “ * SECRET’S”  e curtir o que seria  a “Suite Presidencial”, com  todos os confortos que, acredito, um dia o Augusto irá construir pensando nos casais autorizadíssimos pelos laços do casamento civil e religioso.          

                                                                                                    Roberto Pires                                                                                        

* SECRET`S : Um motel de nossa cidade

( In "Crônicas de Uma Vida - Pag. 91)

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