Helena
de Sousa Freitas entrevista
Chico Anysio
Helena - Depois de se ter popularizado como humorista, Chico Anysio pretende afirmar-se como escritor. O que motivou este sonho quando múltiplos talentos lhe são já reconhecidos?
Chico Anysio - Bem, eu venho escrevendo livro desde 1972, tendo já 17 publicados. O que me levou a esta atividade foi o fato de gostar de contar histórias, pois antes de tudo, o que eu faço de melhor é
exatamente é
contar uma história. Isto é o que eu faço no teatro e nos meus livros.
Helena - Escrever para TV é também uma experiência literária. É o Chico Anysio quem escreve os textos para os seus programas?
Chico Anysio - Agora já não mais. Durante muitos anos (acredito que os primeiros vinte) eu mesmo escrevia, mas com o passar do tempo foram surgindo redatores que me satisfaziam plenamente e passei para eles esta tarefa. O que ainda faço é a redação final.
Helena - Em caso afirmativo, porquê a escolha dos estereótipos que surgem na 'Escolinha do Professor Raimundo', por exemplo?
Chico Anysio - A Escolinha é um programa popular, para se brincar com um universo onde muitos estivemos e muitos ainda estão. O programa visa as crianças e as classe média baixa e acredito que atinja plenamente o objetivo.
Helena - O também célebre humorista televisivo Jô Soares optou igualmente por se aventurar no terreno literário com 'O Xangô de Baker Street'. Não tem sofrido comparações?
Chico Anysio - Eu ou ele? Você fala de compararem o trabalho do Jô com o
meu? Se é isto, nunca ouvi falar de nenhuma comparação, mesmo porque escrevemos coisas diferentes que não podem e nem devem ser comparadas entre si.
Helena - Que posição têm tomado a crítica e o público perante os seus livros?
Chico Anysio - A crítica nunca deixou de falar bem de todos os meus livros. O público gostou, ao que me parece, pois a vendagem de todos eles foi muito boa, para um país como o Brasil onde há cem vezes mais farmácias que livrarias.
Helena - Sendo um humorista tão bem sucedido, um sucesso menor como escritor poderia prejudicar a sua imagem televisiva. Esta hipótese pressiona-o?
Chico Anysio - De modo algum, porque uma coisa nada tem a ver com a outra.
O sucesso da televisão é impossível de ser comparado ao literário. Um programa é visto por 75 milhões de tele-espectadores. Um livro é lido por 20 mil.
Helena - No seu 'ofício de escritor' sente a influência de algum autor? Qual ou quais são eles?
Chico Anysio - Nenhum.
Helena - Enquanto autor, qual o público-alvo das suas obras?
Chico Anysio - Aquele público que nunca havia entrado numa livraria. Tenho
conversado seguidamente com muitos livreiros e de todos escutei o mesmo:
"Seu livro coloca dentro da livraria gente que nunca tinha entrado numa".
Isto, para mim, é uma grande vitória.
Helena - Como estão a reagir a família e os amigos ao Chico Anysio escritor? Apoiam, criticam ou olham com cepticismo?
Chico Anysio - Não sei, exatamente. Nunca me preocupei em saber a opinião nem dos parentes e nem dos amigos, mas acho que eles gostam do que lêem. Pelo
menos é o que eu penso, pelo modo como se comportam em relação à publicação
dos livros.
Helena - Desde jovem, militou no jornalismo e na rádio. Porém, decidiu-se pela televisão. Porquê esta escolha?
Chico Anysio - Era uma escolha óbvia. A
TV estava despontando como
uma nova estrada a ser percorrida. Passamos do rádio para a televisão TODOS os atores que antes
atuávamos nas novelas nos programas radiofônicos. A TV acabou, inclusive, com o teatro de revistas.
Helena - Teve experiências nas áreas do teatro, cinema, música e pintura. Que recordações guarda dos passos dados naqueles terrenos?
Chico Anysio - Todos com muita alegria, guardando as proporções de cada um deles. O teatro é algo que utilizo até hoje, fazendo meus shows pelo Brasil
e mesmo no exterior. O cinema eu uso para os meus textos. Escrevo screenplays para o cinema americano. Tenho, atualmente, dois roteiros com o Spike Lee e um com o Sean Connery.
A música, eu nunca deixei de lado e estou seguidamente gravando. Deve sair no próximo CD do Zezé di Camargo e Luciano uma música minha e do Nonato Buzar.
A pintura é uma constante. Esta semana eu vendi 30 quadros a pessoas que os darão de presente de Natal.
Helena - Depois de exercer em áreas tão distintas da Comunicação, que relação tem agora com o novo suporte dos Media, a Internet? Costuma usar a rede? Com que fins?
Chico Anysio - Uso muito pouco, porque não sei manobrar como devia o PC. Utilizo-o mais (talvez somente) para escrever.
Helena - Apesar de ainda não ter página pessoal na Internet, optou por se tornar membro do
site 'O Literário'. Porque tomou esta decisão?
Chico Anysio - Porque não tinha como deixar de aceitar um convite do Roberto Pires. Meu
site deve sair dentro de no máximo dois meses pela Universo Online.
Helena - Qual a sua impressão do Literário Online? Acredita no seu papel pedagógico e de divulgação cultural?
Chico Anysio - Espero que seja da maior eficiência. A divulgação cultural é, sempre, uma coisa de grande importância.
Helena - Sendo o Chico Anysio cearense, como se sente por ter sido proposto para a Academia Camocinense de Letras?
Chico Anysio - É uma grande honra para mim fazer parte de um grupo tão seleto de literatos.
Helena - Visto ser uma pessoa que podemos classificar de irrequieta, que tudo deseja conhecer e experimentar, o que se imagina a fazer dentro de cinco anos?
Chico Anysio - 75 anos.
Helena - Que mensagem deixa àqueles que o admiram nos mais diversos campos?
Chico Anysio - Tenham paciência
- o futuro é hoje.
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