Entrevistada hoje:

Helena de Sousa Freitas

 

 

 

Por RPires

 

 

1) Helena, como se sentiu ao ser a primeira colocada da 1º Enquete de 'Literário OnLine'?

 

 R: Antes de responder a esta questão inicial, quero deixar aqui os meus sinceros agradecimentos pelo interesse sempre demonstrado pelo Professor Roberto Pires, webmaster de 'Literário OnLine', na divulgação do que escrevo.

Quanto à Enquete... Como quase até ao fim do período de votação muitos dos autores presentes estavam com um número de votos semelhante, não pensava obter o primeiro lugar. A minha experiência de 'eleições' - que acompanho como jornalista - diz-me que, quando menos se espera, os resultados invertem-se e o que parecia ganho acaba perdido.

Assim, saber que tinha sido a primeira colocada da Enquete deixou-me feliz pela surpresa e pelo que isso reflecte em termos de carinho e atenção dos leitores. Porém, tenho a convicção de que não foi apenas uma questão de talento literário que esteve em jogo. Se assim fosse, outros autores, como o grande poeta RB Sotero, teriam vencido em vez de mim. Talvez a vitória se deva ao facto da Enquete ter ocorrido muito perto da atribuição, pelo Poeta Affonso Romano de Sant'Anna, de um 1º lugar no I Concurso de Poesias da Poemas Azuis, o que despertou a atenção de alguns cibernautas.  

 

 

2) Temos seguido de perto sua carreira como escritora e jornalista. A carreira sobe vertiginosamente e hoje sabemos que a escritora Helena de Sousa Freitas é admirada e amada internacionalmente. Qual é o impacto disto em sua vida pessoal? 

 

R: Por enquanto, e excluindo as solicitações para entrevistas, os e-mails que chegam todos os dias às minhas caixas de correio electrónico e uma ou outra pessoa que reconhece o rosto dos jornais, o impacto na minha vida pessoal é ligeiro e simpático e nunca me afectou pela negativa.

 

 

3) De há tempos para cá temos recebido cartas de admiração de seus leitores em 'O Literário'. Numa destas, um leitor, também escritor, pediu publicação (e atendemos) de uma poesia belíssima em sua homenagem. Como sabemos que casará em breve, temos a ousadia de perguntar: Como seu noivo, o Luís, recebe estes arroubos de admiração de seus fans?

 

R: O Luís não costuma 'enciumar-se'. Diz sempre que entende e que vê esse entusiasmo como um sinal positivo, como a forma dos leitores expressarem o que sentem face ao que escrevo ou ao que a minha escrita desperta neles.

  

4) Como definiria o seu público, que sabemos vê-la como (na verdade é) Musa de ‘O Literário’?

 

R: É claro que é bonito ser 'A Musa de O Literário', mas não são os elogios que me movem a escrever, embora sejam um bom incentivo. Espero que o público me veja como sou: uma jovem autora que escreve por ver aí a sua melhor forma de assimilar o que a rodeia e de se expressar perante os outros... e que busca sempre melhorar nessa arte da palavra escrita.

 

 

5) Com que idade começou a escrever?

 

R: Comecei a fazer jornalismo de escola aos 13, 14 anos. Dos 16 aos 18 escrevi incontáveis páginas de diário e ainda com 18 anos comecei a publicar conto e poesia em suplementos literários de jornais nacionais.

 

 

6) Ainda recorda o primeiro texto literário que escreveu?

 

R: Recordo perfeitamente. O texto começava assim - «Eu nasci rodeada de conforto, de médicos e de enfermeiras na Maternidade Alfredo da Costa, numa tarde soalheira em Janeiro de mil novecentos e setenta e seis» - e foi escrito em Outubro de 1994 para o tema 'Camas' do DN Jovem, suplemento literário juvenil do jornal 'Diário de Notícias'.

 

 

7) Qual o gênero literário desta época, do início?

 

R: O conto, género de que muito gosto e no qual continuo a tentar aperfeiçoar-me. A poesia seguiu-se quase de imediato. O ensaio breve e a crónica só chegaram depois.

 

 

8) Que autores têm marcado a sua escrita? A que níveis?

R: Os autores latino-americanos, sobretudo os do designado realismo mágico, influenciam-me no estilo. Penso que essa escrita reflecte a frase «quando a realidade supera a ficção». No meu trabalho de jornalista tomo contacto com casos irreais, situações que batem qualquer ficção. Curiosamente, muitos dos autores do realismo mágico foram jornalistas. Coincidência, ou talvez não.

 

9) Quando começou a publicar na Internet?

 

R: No início de 1999. Comecei por publicar num site português, o Refúgio de Poesia. Em seguida publiquei num site norte-americano e depois em vários em Portugal e no Brasil.

 

 

10) E no Literário?

 

R: No Literário online comecei a publicar em Fevereiro de 2000. Antes estabeleci diversos contactos com o Poeta RB Sotero, que conheci no Festival Eispoesia em Vila do Conde, Portugal, e, posteriormente, com o Professor Roberto Pires.

   

 

11) Editou "on line"  por iniciativa própria ou para responder a algum desafio?

 

R: Uma parte das duas. A Internet representava para mim um desafio ao qual tomei a iniciativa de dar resposta, propondo os meus trabalhos para publicação neste novo meio. De início, e porque desconhecia o alcance da Net, não tinha a noção de que os textos iam ficar expostos a tantos leitores, mas a reacção tem sido positiva e não estou arrependida.

 

 

12) E que opinião tem deste novo meio de divulgação literária?

 

R: Uma opinião muito favorável. Acredito que o meio online veio trazer um novo olhar sobre a escrita e a leitura. Hoje não se lê menos, o suporte é que mudou. Se o hábito de escrever cartas se estava a perder, os e-mails recuperaram-no. Se os jovens preferiam a TV, que pouco ou nada apela à grafia, com a chegada dos chats e dos sites para praticar «escrita criativa» a palavra ganhou uma nova dinâmica. É o fascínio da interactividade.

 

 

13) Tem dificuldade em conciliar a escrita com a profissão?

 

R: Até ao momento, não. Embora a escrita jornalística e a de ficção sejam distintas, uma pode auxiliar indirectamente a outra: dá-lhe matéria-prima, ajuda ao nível do vocabulário, dá rapidez, etc.

No entanto, é certo que qualquer profissão rouba tempo a um autor. Enquanto trabalho não posso criar contos ou poemas. Quanto muito, se me ocorrer uma ideia, consigo anotá-la para a desenvolver mais tarde.

 

 

14) Escreve em locais específicos ou em qualquer lugar, ao sabor da inspiração?

 

R: Escrevo em qualquer lugar e por vezes inspiro-me com pequenos detalhes do quotidiano. Gosto de escrever em casa, à noite, às vezes na praia, no autocarro... Tenho sempre papel e caneta na mala.

 

 

15) Em que se inspira para escrever?

 

R: No que observo, em assuntos que leio, no que me sucede e no que acontece aos que me rodeiam. Não raramente recorto notícias dos jornais, guardo uma cópia do que de mais insólito me passa pelas mãos. Tudo isto é matéria-prima para a escrita.

 

 

16) Sua opinião pessoal sobre ‘O Literário’ - mídia papel e mídia virtual.

 

R: 'O Literário' estabelece uma ponte entre o Brasil e Portugal e tem vindo a crescer em número de colaboradores e de leitores, expandindo os seus horizontes e o seu alcance. Admiro o trabalho que o Professor Roberto Pires desenvolve, bem como os textos de muitos autores que participam no jornal e o fazem crescer.

 

 

17) E para finalizar: Que mensagem deixa para aqueles que a consagraram a mais votada da nossa Enquete?  

R: Agradeço a todos os que votaram em mim, pois sei que deve ter sido difícil escolher entre os cerca de 20 concorrentes. Espero que esses leitores continuem a apreciar os meus textos e quero que saibam que a minha escrita existe também por eles. Um autor escreve muito para si próprio, para se sentir vivo, mas que sentido tem a sua obra na ausência de pessoas que se identifiquem com as palavras que escreve?

 

 

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