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Meia-noite, meia-lua,
Meio tom, meia verdade,
Meia paz pela cidade,
Meio trânsito na rua.
Passos meio hesitantes,
Braços meio picados,
Copos meio bebidos,
Corpos meio tombados.
Meio cigarro apagado,
Meio jornal esquecido,
Meia luz e dois amantes,
Meio-fio, dois assaltantes.
Um calor meio atrevido,
Uma janela meio aberta,
Um corpo meio despido
E uns olhos meio alertas.
Meia-noite, meia hora,
Meia lua, meia volta,
Meio mundo dorme agora,
Meia polícia na escolta.
O morro meio às escuras,
A vida meio assustada,
Silêncio, meio amargura,
Uma paz meio acuada.
Meio banco faz um leito,
Meio jornal, cobertor,
Meio olhar é preconceito,
Meia ajuda é pouco amor.
Tiroteio, meia-paz rompida,
A escuridão meio riscada,
É uma bala inteira perdida
E uma vida inteira apagada.
Meia-noite, meia lua,
Meia rua vermelho manchada.
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Francisco
Simões Maio
de 1995
(Esta poesia foi escolhida como "Melhor Poema-Crônica" no
Expressão da
Alma - 4ª edição no Rio em dezº/1999 e classificado em 2º lugar no
concurso
da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu (PR), no ano 2000) |
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