EDUCAÇÃO

 

 

 

ESCOLA TODO DIA SE REINVENTA

                              

 

Para os educadores e gestores que sonham com uma escola pública de sucesso e aceitam os desafios que surgem procurando inovar em todas as vertentes escolares , vivenciando os princípios das práticas participativas ,  incorporando novas posturas ao seu compromisso , caminhos múltiplos e novos vão surgindo para serem percorridos os quais os  levam ao fascínio de novas descobertas e experiências valorosas e marcantes.

Essa coisa fascinante da qual falo não pode dar certo com os que não acreditam , jamais com os que teimam em percorrer os mesmos caminhos que em todos esses anos apresentaram fracassos e fizeram da educação pública instrumento de descrédito e de desvalorização. Na atual conjuntura , de ascensão de novos paradigmas ,  o educador e gestor de sucesso que faz a escola de qualidade não pode deixar de olhar para um novo panorama  que já surge – novos ares estamos cruzando. E  a essa altura ficarão para traz os desmotivados , os apáticos , “os Tomés” ou porque não dizer os que se esqueceram de fazer um transplante de idéias e valores para sobreviver face aos desafios desse novo tempo que promete! 

Aqui no Ceará , na Escola de Ensino Fundamental General Antônio da Silva Campos , da rede municipal de ensino , hoje referência regional , estadual e nacional , os problemas e fracassos eram os mesmos que a realidade educacional , em qualquer lugar deste nosso País apresenta. Os desafios para resgatar a credibilidade desta Escola amedrontava qualquer educador sem perspectiva ou  sem crença numa educação melhor.

Dentre esses desafios , a participação da família e o envolvimento  da comunidade escolar no processo era um desafio  que parecia intransponível. O que fazer diante de tal situação? As famosas reuniões de pais e mestres eram impotentes , os pais não engoliam mais as reclamações e   as expressões de descontentamento com desempenho ruim e indisciplina dos seus filhos. Uma solução precisava ser encontrada. Como gestor do processo eu tinha a responsabilidade de pensar rápido numa saída e pensar com todos os envolvidos nele,  se queriam realmente encontrar o caminho para o sucesso.

Surge uma idéia , fruto de discussões e estudo com a equipe: “ A AULA DA FAMÍLIA”. As reuniões de pais e mestres , por deliberação do coletivo , foram substituídas por esta nova estratégia.

“A aula da família” passou a ser realizada na Escola bimestralmente. Os pais num dia previamente estabelecido no calendário  escolar e avisados vem a Escola para tratar de temas específicos como: a participação da família na escola , casamento , relações pais e filhos, saúde , prevenção DST/AIDS – drogas , gestão escolar participativa , e outros escolhidos pelos próprios participantes que acontece num espaço rico em debates , reflexões e encontro fraterno.

Os resultados são tão positivos que a avaliação institucional passou a ser realizada na Escola anualmente , atingindo todas as expectativas. Cada encontro com a família é realizado com a participação de pelo menos 600 participantes chegando a realizarmos essas reuniões com uma média de 800 pais presentes.

A partir dessa experiência que começou em 1998 , o coletivo viu a necessidade de criarmos uma organização de participação da família na Escola e em 1999 fora criado o FÓRUM DA FAMÍLIA que reúne agora as aulas da família , a Ouvidoria da família: célula do Fórum que ouve as sugestões , as reclamações e procura atender a família nos assuntos dos seus interesses ; o Fórum também tem um caráter consultivo.

Desde que iniciei minha prática como gestor escolar, a reclamação é sempre a mesma “ a família não participa...eu não sei o que faço para esses pais participarem da escola’’. Parece que isso se tornou uma desculpa de gestores e coordenadores escolares que vai realmente ganhando espaço no tempo sem se criar possibilidades de participação. Quando se fala que é possível trazer um número grande de pais para participar da escola do filho, os “Tomés’’ não acreditam e ficam espantados, demonstrando descrédito, como se participação dos pais na escola fosse “coisa do outro mundo”.

Foi pensando em reinventar a escola todo dia que procuramos caminhar rumo ao novo, sem tirar do coração o ideal, o sonho, a utopia e com eles mover todas as possibilidades para que essa Escola fosse viva e de sucesso.

Cada dia acreditamos mais na possibilidade de transformarmos a nossa sociedade com a participação da própria ,  a partir da Escola. Quando a escola caminha com essa visão os resultados por certo virão.

Nessa compreensão , estamos visualizando uma história nova. Contada pelo ângulo da escola cidadã.

Convido você, leitor, a embarcar nessa viagem empreendedora, de reinventar a escola todo dia e ai nossas escolas se transformarão naquilo que tanto sonhamos.

 

  

 

                                          JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO JÚNIOR

 

                  Coordenador Regional de Articulação e Gestão Escolar do CREDE-04

                                                             Camocim-ce  

            

 Sobre José Augusto Junior