Editorial – Peço a Palavra!

                  

    A cidade estava mais ou menos acomodada. Os artistas esperavam por momentos positivos, quais sementes em terras arenosas, seca e áspera de água para germinar. De repente, o milagre da chuva na lavra da cultura! Conhecidos vultos de Arte Escrita local rebentaram na idéia de criar um Grupo Literário. Debates foram travados e, finalmente, foi marcado a primeira reunião nos fundos ( ! ) do quintal da Ana Maria Veras, que viria a ser primeira Presidenta do Grupo. Poetas, filósofos e intelectuais ali reunidos materializaram o sonho!

    Como já era de se esperar, da reunião floresceu a idéia de um “jornalzinho” que viesse incentivar e difundir as Artes Literárias nas barrancas ( ? ) do Rio Coreaú. Disse barrancas, mais poderia dizer barreiras, pois estudos daquelas falésias sinalizam que o rio já passou por lá. Inclusive quem não conhece o “acolhimento” das barreiras? Qualquer casal de vergonha já “quebrou uns coquinhos” naquele recanto gostoso, dentro ou fora do carro. Mas, deixemos de lado a digressão e o saudosismo e continuemos com o assunto.

Como tesoureira do grupo, alguém que nos lembra a Barbye na aparência e competência da Beth, na coleta dos parcos recursos ( ? ) dos componentes para fazer um trabalho de vergonha.

     Dirigido por uma mulher incomum, com pulso de ferro e coração de mãe, responsável pelas vezes que Camocim ultrapassou as barreiras do Ceará, indo parar nas páginas das grandes Revistas do Sul. Ana Veras irradia cultura e educação e puxa o Grupo com força, para cima! Acho que desta vez vai! E foi neste clima que o primeiro exemplar está indo para nas suas mãos.      

      Despretensioso como o nosso povo, este Bebê recém parido pelo Grêmio Literário precisa de seus cuidados... Leia-o com o carinho de quem lê a face da primeira namorada. Veja-o com o cuidado e o gosto de quem admira uma (um) virgem nu (a). Devore-o com os olhos como faria com a citada Srta... à presença do pai enciumado e vigilante: e , por fim, escreva-nos, dando sua impressão para que possamos lapidá-lo e fazer realmente uma obra à sua altura, amigo camocinense. É seu! Aproveite-o! e não deixe a “peteca cair”. Participe mandando as suas impressões, notícias, crônicas, ou reportagens. Lembre-se o lema é “Peço a Palavra”! 

(In "Crônicas de Uma Vida" pag.43) 

 

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