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O
Maior Hidroavião de década de 30!
Você já imaginou a cara de surpresa do
Artur Queirós e do Ildemburgue, com seus 9 anos de idade, à Beira Mar de
Camocim, quando assistiu a amerrizagem do avião gigante:
O Do-X? E o povo da época? Os camocinenses se
apinhavam à Beira Mar para admirar aquela máquina
enorme, percussora
dos Jumbos atuais
Ainda hoje, basta um
pequeno avião passar que logo levantamos a cabeça
para olhar! Neste caso, não foi um teco-teco
qualquer que desceu em Camocim: O Do-X era um hidroplano de
12 motores, projetado para voar a baixa altitude: 500
metros no máximo!
Conta
Artur Queirós que os barqueiros da época levavam, por uma
pequena quantia, os curiosos, inclusive ele, num
pequeno barco para ver, bem de perto o avião!
A
Chegada
A
Belonave pousou
pela manhã, no dia 13 de junho de 1931 e ficou até a
tardinha, parado, ali!, bem em frente da Estação
Ferroviária. Nenhum passageiro desembarcou. Os barcos de
apoio camocinenses carregavam combustível em latas
de 20 litros que, aos pouco, iam suprindo o liquido
precioso para acalmar a fome devoradora do Do-X que
queimava 400 galões por hora, conta-nos o Sr. Ildenburgue
que também, boquiaberto, assistiu aos seus nove anos de
idade a visita insólita.
A
notícia de que o Do-X estava no Brasil já havia se
espalhado e, muitas pessoas em Fortaleza, esperavam por sua
passagem, sobrevoando a Capital Alencarina. No inicio da
tarde, zarpou em direção a Natal e depois rumo ao sul com destino
ao Rio de
Janeiro, frustrando, assim, o pessoal que esperava sua
passagem pelo restante do "Siarah"...
O
Avião
O
que sabemos é que este gigante de doze motores, montados
frente-costas sobre o centro das asas, acima, pesava 52
toneladas e foi construído na Alemanha, pelo Professor Claude Dornier,
no estaleiro do Lago Constance. Fez seu primeiro vôo
de teste no dia 12 de julho de 1929 sobre o
mesmo lago. Mais adiante, fez outro vôo de uma hora:
prova de fogo, em 21 de outubro de 1929, sobre o Lago
Constance com 169 pessoas a bordo.
Seu
tanque de combustível, comportava 16.000 litros e veio
parar em Camocim n'um cruzeiro mundial, iniciado em 5 de
novembro de 1930.
A
Viagem
Sabe-se que sua rota começou na
Europa, mais exatamente no Rio Reno até Amsterdã e, de lá, continuou a
Calshot-Inglaterra, Bordeaux -França, La Coruna e Lisboa.
Passando pelas Ilhas Canárias, seguiu ao longo da costa
africana chegando a Camocim em 13 de junho,
partindo, no mesmo dia, para Natal e chegando ao Rio de
Janeiro no dia 20 de junho de 1931.
Descobrimos
a viagem foi muito acidentada! Um acidente em Lisboa com fogo na asa esquerda, no dia 29 novembro,
atrasou por mais de um mês a viagem pois o material levou
seis semanas para chegar de Altenrhein. Na verdade, só decolou em 31
janeiro de 1931 indo para Las Palmas. Em
Las Palma, outro problema! Uma esbarrada em um banco de
areia paralisa a nave por 3 longos meses! Partiu em
3 de maio e, vários outros problemas, como por exemplo em
Bolama-África dificultou a viagem por quatro
semanas.a chegada ao Brasil foi conseguida.
Sua estadia no Rio de Janeiro foi muito festejada pelo
povo carioca que, como os camocinenses, se encantaram com
o Navio Voador.
A
Partida do Brasil
Finalmente,
deixou o Brasil e voou para a América do Norte, passando
alguns meses em Nova Iorque por causa do inverno. Em maio de 1932,
voaram para Berlim e pousaram no Lago Müggelsee.
Sua viagem total envolveu 43.000 Km. Sabe-se, também, que
os motores originais Siemens - Júpiter, aqueciam
demais e foram substituídos por motores Curtiss Conqueror
de doze cilindros em
V.
Um
Triste Fim...
Infelizmente
este avião não foi um projeto de muita sorte! Chegou
desta viagem muito danificado e talvez, também, por
consumir muito combustível, foi parar no Museu de Berlim.
Por azar em 1943, foi destruído
pelas chamas num bombardeio dos aliados. Além do
Do-X, somente mais dois aviões deste modelo foram construídos
e vendidos para Itália.
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O Do-X em Camocim - Foto cedida
por Artur Queirós
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