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OS ABSURDOS DA GUERRA
O homem em sua ânsia de poder, chega ao extremo de usar seus princípios, sua religião, sua fé e seus valores, como pretexto para justificar sua cobiça e para em nome deles cometer os mais terríveis atos.
Osama Bin Laden, sendo um homem de grandes posses e para o qual a riqueza não lhe engrandece, busca firmar-se como alguém poderoso, financiando organizações terroristas e tentando, quem sabe, ser um segundo Maomé. Sua audácia é tanta, que a fé é razão para antagonicamente falar em paz, quando por seus atos provoca a guerra.
Segundo a revista Isto É, em uma edição de outubro de 2001, de seu esconderijo, Bin Laden enviou uma mensagem ameaçadora para os EUA: "Juro por Deus que a América não viverá em paz antes que a paz reine na Palestina e que o exército de infiéis desocupe a terra de Maomé". É difícil acreditar que se pretenda construir a paz, quando o alicerce é a guerra, a morte, a destruição e o desespero de milhões de pessoas, de milhões de famílias.
Estará Bin Laden, realmente preocupado com a Palestina? Estará ele, preocupado com seus irmãos muçulmanos? Enquanto o Afeganistão dá abrigo ao príncipe do terror e enquanto este investe em organizações terroristas, milhares de afegãos passam fome e sofrem as conseqüências da ganância humana. Quem sabe se o dinheiro investido nessas organizações não seria suficiente para salvar a vida dos muçulmanos que vivem na miséria? Não seria mais lógico investir na vida, ao invés da morte?
Semelhantes absurdos se vê também por parte dos Estados Unidos, quando George W. Bush falava através da TV em conseguir a paz, enquanto preparava a guerra, fala do terrorismo, quando os países do terceiro mundo vivem sob o terror do domínio da dívida externa e da submissão imposta por seu país, mesmo que de forma camuflada e disfarçada de colaboração mútua.
Segundo a reportagem da Isto É, "o terrorismo é cruel, traiçoeiro, e clandestino, é aquele inimigo que está em toda parte e em lugar nenhum". Pode-se dizer que, os países em desenvolvimento, são acometidos do terror da dependência de um país, que embora não diretamente, está sempre interferindo de uma forma ou de outra nas decisões políticas e econômicas internas; que mesmo não tendo a intensidade catastrófica dos atentados terroristas nos EUA, é também, cruel e injusta.
É bem verdade que nada justifica o terrorismo, assim como nada justifica a guerra. No entanto, não se pode negar que os EUA colhe os frutos daquilo que plantou. Durante sua ascensão, fez muitos aliados, até pela própria conveniência dos países pobres, mas também fez muitos inimigos.
Sua soberania, sua auto-suficiência e a prepotência que é peculiar a todos que se sentem confortavelmente no poder, despertou a ira dos países que se sentiam ameaçados ou injustiçados pela interferência do "Tio Sam".
Ao julgar-se inatingível, os americanos foram imprudentes, tendo em vista a presença de pessoas ligadas às organizações de Bin Laden no país , em tempos que antecederam aos atentados, com atitudes no mínimo suspeitas.
E assim os absurdos se sucedem um após o outro: Fala-se em paz, enquanto se pratica a guerra; prega-se os direitos humanos, enquanto esquece-se o direito principal, que é o direito à vida; divinizam-se os homens, julgam-se deuses onipotentes, enquanto os deuses são banalizados e usados para justificar o mal; defende-se países e nações, enquanto seus habitantes são aterrorizados e expostos a situações desumanas, que certamente ofenderão aos deuses, religiões, seitas e profetas.
Os homens, ditos "racionais", precisam rever seus conceitos sobre a humanidade, sobre a fé e sobre Deus. É preciso rever valores, avaliar ações e olhar para o homem que há dentro de cada um, para enxergar o que há, de realmente divino, no humano.
Cotinha Cunha - Novembro de 2001
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