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CORREDOR
CULTURAL
Chico
Anysio
O
grande Nelson Rodrigues detestava se afastar do Rio de Janeiro.
Sabendo disso, os amigos perguntavam: “Como é, Nelson, vais a
São Paulo ver o Fluminense jogar?” E ele respondia: “Depois do Méier, começo a sentir saudades do Brasil”. Ao
contrário de Nelson, se pudesse, viveria viajando. Uma coisa é
certa, não morro sem conhecer a Grécia. Sonhos à parte, vamos
ao que eu chamo de “um passeio inesquecível”.
Há
cerca de uns dezesseis anos, o João Carlos, meu amigo e meu marchand,
fez, com a família, uma fantástica programação de férias de
meio de ano. Começou a imaginar quantos estrangeiros se
deslocam de todas as partes do mundo para conhecer o Rio de
Janeiro. Aí deduziu que, se era bom para os turistas, deveria
também ser para a sua família. Foi o que fizeram: um dia em
cada ponto turístico do Rio lá estavam eles, misturados aos
japoneses, franceses, italianos, norte-americanos, espanhóis,
ouvindo de tudo, menos o Português. Deixou-os encantados o
Corredor Cultural do Rio de Janeiro, um programa que, já
naquela época, João Carlos considerou inesquecível. Poucos
conhecem. Localiza-se no Centro da cidade e todo o circuito pode
ser feito a pé durante os dias da semana, no horário
comercial, quando o Centro do Rio é relativamente seguro.
Morando
no Rio de Janeiro, ou vindo visitá-lo, não deixem de fazer o
circuito cultural completo, pois creio que também vocês farão
um passeio inesquecível. Há um serviço eficiente e barato: o Tour
Cultural. Trata-se do transporte coletivo especial — microônibus
com 30 lugares e ar-condicionado — que faz a ligação entre
os principais museus e espaços culturais do Centro da cidade.
Procurem o Centro de Atendimento ao Turista da Riotur,
localizado na Av. Princesa Isabel, 183-térreo, CEP 22011-01, no
bairro do Leme, telefone (21) 542-8080, que lhes fornecerão,
graciosamente, uma publicação atualizada. (Isso é o João
Carlos quem garante existir ainda). A propósito, todas as
cidades — do Brasil ou do exterior — têm, por menores que
sejam, algo de cultural e artístico que merece a sua atenção;
é só procurar os órgãos municipais que cuidam do turismo das
cidades por vocês visitadas, pois eles sempre têm à disposição
informações sobre o roteiro cultural.
Você
já fez o circuito cultural da sua cidade? A realidade, nua e
crua, é que os “bichos da terra”, de todas as partes do
mundo, não curtem o turismo de suas próprias cidades.
Conheço
vários cariocas que gostam de curtir os feriadões no Rio de
Janeiro. Dizem que o Rio, nessas épocas, com a debandada geral,
volta ter a tranqüilidade dos anos 60/70, a cidade fica vazia e
a locomoção, estacionamento, cinemas, teatros, restaurantes da
moda, tudo fica mais fácil. De fato, também não vejo muita
graça nos deslocamentos dos feriadões, quando muitos se
aventuram em viagens de gosto duvidoso — aquelas quando se vai
para um-perto-bem-longe, ou seja, quando, para se percorrer uns
cento e poucos quilômetros, se pega um engarrafamento de seis
horas de estrada — na ida e, depois, na volta — quase sempre
para tomar banho de mar pela manhã e de repelente para mosquito
o resto do dia, já que água doce, em muitos lugares, não há
adutora que comporte o inchaço dos grandes feriados. Quem sabe
não seria melhor, nessas oportunidades, ficar nas suas cidades
curtindo o que elas têm de bom? Mas o que elas têm de bom? Nós
quando vamos aí nas suas cidades — São Paulo, por exemplo
— achamos um monte de coisas gostosas para fazer... A mais
gostosa delas: voltar para o Rio.
Chico
Anysio
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