BALADA DO CAMINHONEIRO  

 

                                                      Chico Anysio

 

Desde a madrugada estou rodando nesta estrada;

já cansei, é hora de parar.

Eu encosto neste posto, jogo uma água no rosto:

agora é que vai começar.

Tem aqui uma morena miudinha, bem pequena,

mas que sabe que é minha só.

Ela estava me esperando e ao ver que estou chegando

já me leva pro forró.

Vem de frente, vem de lado,

vem de banda, vem por trás.

Sem cuidado, no pecado,

até sem jeito, tanto faz.              

Vamos dizer, vamos fazer,

vamos querer, vamos viver

de qualquer jeito.

Amor assim é bom demais.

 

A carreta volta à estrada com sua carga pesada

e pra longe ela me transporta.

Vou guiando a minha vida nesta estrada tão sofrida

e o país inteiro ela corta.

Na parada é que eu olho procurando a lourinha

que é com quem eu troco o óleo,

com quem curto de montão e é com ela que eu vou

para o esfrega do baião.

Vem de frente, vem de lado,

vem de banda, vem por trás.

Sem cuidado, no pecado,

até sem jeito, tanto faz.

Vamos dizer, vamos fazer,

vamos querer, vamos viver

de qualquer jeito.

Amor assim é bom demais.

 

Sempre fui caminhoneiro de serviço comprovado

talvez seja o mais amado.

Nunca andei na contra-mão. Minha mão sabe o caminho

que conduz ao coração.

Meu amor é dividido para ser melhor servido:

o melhor que a gente pode.

Eu não vivo sem ninguém e porisso sempre alguém

me carrega pro pagode.

Vem de frente, vem de lado,

vem de banda, vem por trás.

Sem cuidado no pecado,

até sem jeito, tanto faz.

Vamos dizer, vamos fazer,

vamos querer, vamos viver

de qualquer jeito.

Amor assim é bom demais.

 

— Até a volta, minha gente!

— Vai com Deus, macho danado.

Chico Anysio    

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