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A Morte de Jesus
Chico
Anysio
Uma
coisa me incomoda, de modo transcendental:
a
vinte e quatro de dezembro, Jesus nasceu em Belém.
Há
o caso dos Reis Magos, da estrela aparecer,
o
mundo inteiro comemora, o dia do seu “natal”,
tudo
certo, tudo justo, tudo firme e muito bem.
Agora
é só explicar, o que eu não posso entender.
Se
nós sabemos o dia, do nascimento do Senhor,
quando
ele ainda era filho, de um mero carpinteiro,
de
quem ninguém conhecia, o que o futuro guardava,
quem
é, no mundo, capaz, de nem longe supor
que
seja assunto sincero, bem correto e verdadeiro,
e
ninguém saiba ao certo, o dia em que nos deixava?
Jesus
morre, a cada ano, em um dia diferente,
quarenta
dias depois, de terminado o carnaval.
Como
uma festa pagã, pode marcar esta data?
Eu
acho que já havia, até mesmo muita gente
que
numerava os dias, como uma coisa normal;
alguém,
portanto, não fez, daquilo coisa abstrata.
Sabemos
de tudo, tudo, que com Ele aconteceu:
a
Via Cruscis, os tombos, as chicotadas sofridas,
as
pedradas recebidas, no caminho do calvário,
sabemos
de Barrabás, de Pilatos, do judeu
que
lhe mandou caminhar, aumentando-lhe as feridas
de
muito mais nós sabemos, menos de um calendário.
Peço
aos que muito rezam, que nisto eles me ajudem
pois
é só o que me falta, para mais crescer na fé:
indiquem
quem me pode, explicar bem, com clareza
esta
dúvida enorme, que mais cresce se iludem
a
mim, que sou pobre leigo, e, sem ser um São Tomé,
desejo
apenas saber, se possível, com certeza.
Deixando
a religião, e indo ao historiador:
o
AC e o DC, são os dois separadores
de
duas grandes etapas da vida, aqui na terra.
Então
apenas me digam, fazendo um grande favor,
que
dia é a data certa? Respondam, caros senhores:
que
marca o tempo que nasce, enquanto outro encerra?
Respondam,
pois será este, o dia que nós queremos.
Esclarecer,
afinal, a data que marca a morte
daquele
que só viveu, pra dar sua vida por nós.
Nasceu
em dezembro. No Natal, nós já sabemos,
e
agora a história, sem que muito se importe,
dirá
o dia exato, da morte: sem antes ou após.
Talvez
eu esteja apenas, perguntando algo incrível
ou,
quem sabe, desejando, criar um vasto problema.
Se
é assim que esta coisa já acontece há milênios,
como
é que eu agora, quero saber o impossível?
Quem
pensa como eu, oh! meu Jesus, não blasfema?
A
todos, Bom Senhor, que assim pensam: condene-os!
Mas,
por Deus, qual a importância real desta data?
Será
que é certo, ter nascido em dezembro?
Será
erro admitir, que possa haver confusão?
Não
é a Páscoa de fato, que marca a festa exata?
Antes,
o carnaval, depois a Páscoa, se bem me lembro.
É
assim que acontece, num país que é cristão.
Sabemos
todos de datas, de comemorações diversas.
Há
o dia do trabalho, dos pais, de ação de graças,
Lucas
em seu evangelho menciona tudo errado?
Mas
ele não foi apóstolo, para vir com tais conversas.
Sequer
conheceu Jesus. Não que tenha, por trapaças,
querido
entrar para a história. Lucas era diplomado.
Dialogou
com Pilatos, com Maria especialmente,
falou
com Herodes (não o outro, mas com Antipas)
e
por aí se descobre, Jesus nasceu antes da era oficial.
Isso
indica que Jesus, não viveu exatamente,
trinta
e três anos — um pouco mais. E agora participas
a
todos que ele morreu, no ano trinta? Pá de cal.
A
Páscoa dos Judeus, um sábado após a crucificação
teve
uma grande influência, em todo este processo
que
aqui estamos expondo. Ou estaremos discutindo?
Um
domingo então, após, houve a ressurreição
e
os cristãos guardam até hoje, em recôndito recesso.
Mas
há mais a se falar, e se há nós vamos indo.
Vamos
colocar em pauta, o que diz a astronomia.
O
eixo da terra influi. Depende da inclinação.
Essas
coisas mudam datas, cada uma tem motivo.
Primavera,
equinócio… ou melhor: cosmografia.
Aqueles
quarenta dias têm também variação.
Vemos
nós que nada, então, pode-se achar decisivo.
Decisivo
é tão somente, que Jesus é o Deus santo
e
tudo que a Bíblia conta, é verdade verdadeira,
que
além de muito lida, precisa ser estudada.
Jesus
é meu grande amigo, e também mestre; portanto
sou
seu aluno. Sei que dEle aprendo, desta maneira:
que
nesta vida o que importa é Ele. Jesus. Mais nada.
Chico
Anysio |