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CAIPORA
O caipora, conforme a região, pode ser descrito de várias formas:
Pode ser a de uma mulher unípede que anda aos saltos,
como uma criança de cabeça grandíssima, como um caboclinho encantado, ou
até como um homem agigantado, montado num porco-do-mato.
Pode também ser descrito ainda no formato de homem com um pé só, redondo, seguido do cachorro papa-mel,
etc. Uns dizem que possui um
olho só. Sua ascendência é confusa, mas seu nome é de origem
tupi, " kaa'pora, que significa habitante do mato. Em algumas regiões do Brasil
ele surge como um índio pequeno e forte, com o corpo recoberto de
pêlos e doido por fumo, parando todo viajante para conseguir uma
pitada. Quem o encontra fica infeliz nos negócios e em tudo o que
empreende, daí a origem da expressão nordestina: " O
Caipora cruzou o meu caminho ou Estou Caipora". Para mantê-lo contente, os caboclos o sustentam
com fumo e cachaça, mas, mesmo assim, respeitam determinadas
regras: não perseguem fêmeas grávidas nem filhotes, sejam quais
forem os animais. Também não se pode caçar nas sextas-feiras,
noites de luar, e aos domingos e dias santos.
Os indígenas e também os sertanejos
defendiam-se dele andando com um tição flamejante durante as
jornadas noturnas. Dizem que o Caipora foge instintivamente da claridade.
Apesar
desta lenda não ter influências em nossas vidas, convém frisar
que em certas regiões mais longínquas, nos interiores,
ainda se crê nesta lenda e as saídas, às noites escuras,
costumam trazer medo de um encontro com este personagem que
transmite azar!
Ana
Margarida Pires de Oliveira
AURÉLIO
Verbete: caipora
[Do tupi kaa'pora, 'morador do mato'.]
Bras. S. m. e f.
1. Ente fantástico oriundo da mitologia tupi, representado, segundo as regiões, ou com a forma de uma mulher unípede que anda aos saltos, ou como uma criança de cabeça grandíssima, ou como um caboclinho encantado, ou como um homem agigantado, montado num
porco-do-mato, ou com um pé só, redondo, seguido do cachorro papa-mel, etc.; caapora: "Ouvia muitas vezes dizerem que se aplacava a ira dos caiporas, deixando-lhes nas encruzilhadas fumo de corda."
(Povina Cavalcanti, Volta à Infância, p. 88); "Menino de engenho, criado a ouvir histórias de
Trancoso, .... arrepiado com as façanhas do papa-figo, do lobisomem e da caipora ...., não é de estranhar que cedo me afeiçoasse ao Folclore" (José Maria de Melo, Enigmas Populares. p. 13).
S. 2 g.
2. Indivíduo que pela simples presença provoca infelicidade, azar.
3. Indivíduo azarado, infeliz.
S. f.
4. V. caiporismo.
Adj. 2 g.
5. Diz-se do indivíduo sem sorte e/ou que dá azar; azarado.
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