CAIPORA EXISTE? EIS A QUESTÃO...

 

 

Você é supersticioso? Acredita que possa existir seu dia de sorte ou azar? Já passou por alguma situação muito boa ou tão ruim que pudesse dizer: “Pôxa, hoje não é o meu dia de sorte!” ou então o contrário: “Hoje é meu dia de sorte!”

           Vejam só como foi para mim o dia 7 de maio de 2000: ao sair pela manhã para o trabalho, deixei o marido carente e queixoso, exigindo de mim mais atenção e carinho. Programei, então, em minha cabeça que logo mais, ao cair da noite (quando eu saísse do trabalho), iria arranjar um tempinho para ressarcir suas aspirações.

O dia foi muito corrido. Admirada eu ficaria, se passasse um dia que não fosse assim! Pois bem, já era fim do expediente, finalmente estaria em paz com meu amado por algumas boas horas... pensava! Que nada! Ele acabara de me lembrar do compromisso às 19:00h que havia marcado com uma amiga nossa e não podíamos faltar... É verdade! Lá se foram meus planos por água abaixo. Tive que adiar para mais tarde, achando que não nos demoraríamos na reunião marcada com a amiga Selidan. 

Enquanto eu preparava nossas roupas, o telefone toca... era a Tride, a mais nova amiga de meu marido, perguntando que horas a pegaríamos, pois ele havia convidado-a para nos acompanhar até a reunião de Selidan, e ela não conhecia nada na Cidade.

 Ele a conheceu há poucos dias na academia de ginástica e ficaram amigos, era sua primeira visita a este lugar.

 Quando estávamos prontos, seguimos para a casa de Tride – eu a conheceria finalmente naquela noite. Ao chegar em sua residência, vi que se tratava de uma senhora muito bem apessoada. Não perdemos tempo, tratei logo de abrir a porta do carro e afastar o banco, onde eu sentara, para que ela entrasse, sentando-se no outro de trás. Neste entremeio, antes que eu dissesse: “Pindamonhangaba”, fui radicalmente surpreendida por uma frase da “Caroneira” que dizia: - Filha, passa para o banco de trás, que eu vou aqui na frente. E, pasmem! Fui transportada para trás, fazendo o papel de “Caroneira” e ela lá, no papel de Senhora do motorista.

Tride deixava a entender, ainda que obscuro, que tinha problemas de saúde e, por isso, tinha que sentar na frente. Então, aceitando o tão notável constrangimento, recolhi-me num silêncio triste e constrangedor! Eu matutava uma forma de desforra e quem seria a vítima;  mas, antes que resolvesse o que faria, limitava-me a remoer pensamentos do tipo: Isso não pode está acontecendo comigo... Isso nunca tinha acontecido antes. Hoje não é o meu dia de sorte! Já sei... foi o gato preto que cruzou meu caminho antes de sair de casa. Vai ver hoje é sexta feira treze e eu esqueci... não, não, não é sexta-feira treze. Então eu só posso mesmo é ter pisado em rastro de corno. - Fazer o quê? É... desde que inventaram que professor tem que mostrar uma postura de educador e andar na linha, nunca mais eu pude colocar um penetra no seu lugar, de forma merecida.

Mais uma vez foram adiados os planos feitos no início, porque a reunião terminou muito tarde; eu cheguei em casa exausta e doente... dormi para um lado e o marido para o outro. No dia seguinte, eu confirmei de vez que o caipora havia mesmo cruzado o meu caminho, pois quando saia para o trabalho, percebi que no meio de toda a confusão do dia anterior eu havia esquecido no carro uma pequena bolsa que usara contendo alguns trocados. Peguei-a e senti que estava vazia. Como o carro havia ficado aberto, tive a certeza de que o azar tinha sido completo – fui roubada!

É, meus amigos, abram o olho quando o Caipora cruzar seus caminhos. Ele dá azar, hein?! 

                                                                                                                                            AnaPires  

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