BEM-TE-VI

 

 

 

Bem-te-vi, meu bem-te-vi,

Tu que cantas no roçado,

Tu que cantas nas estradas,

Tu que cantas nos arvoredos,

Nos mangueirais lá de casa,

Lá no fundo do quintal;

No teu gorjeio sedento,

Soltas tua sonata ao vento,

Ver-te tristonho jamais!

 

Ontem eu te vi cantando

Lá em cima da matriz,

Estavas num braço da cruz,

No mesmo lugar que Jesus

Teve sua mão cravada.

Cuidado com uma pedrada

Jogada de baladeira

Que um columim pode dar.

 

Bem-te-vi que cantas ou choras

Lá do alto do coqueiro,

Às vezes ficas dizendo

Que me viste a tarde inteira;

Às vezes fico sorrindo

No meu tucum balançando,

Só ouvindo o teu cantar.

                          

JR

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