Arimatéa Filho

                 

 

Manhã de Chuva em Camocim

 

 

 

 

Está chovendo... eu fico horas sem fim,

a ver a água a correr molhando o chão...

não sei porque o inverno é sempre assim,

como se irrigasse o coração.

 

 

 

Brotam velhas lembranças dentro de mim,

de minha terra, lá de meu torrão, 

onde se esquece tudo que é ruim,

onde cada "bom-dia" é uma oração.

 

 

 

Manhã sem sol. A chuva continua...

a água correndo é ver aquela rua

que em minha meninice se fez rio,

 

 

 

- Jangadas  de papel... barcos ao mar...

e a saudade de longe a me acenar,

nesta manhã nostálgica de frio 

 

 

 

 

 

Filho, Arimatéa. 

In: ENTRE SOMBRAS E LUZES  Poesias.

Fortaleza -Ce 1999 -Multigraf Editora Ltda.

v.1.p.31