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CAMOCIM, FILHO ILUSTRE!
Dep. Anésio Frota Aguiar
Anésio Frota Aguiar ou, simplesmente, Dr. Frota Aguiar, jurista, político e escritor, é a prova material do ensinamento de Júlio Muran: "Feliz a pessoa que percorre os mais diversos ambientes sem perder a si mesma". Tendo exercido os mais relevantes cargos e funções na Guanabara, então Capital do Brasil, passando depois a Estado do Rio de Janeiro e na atual Capital, Brasília, o cearense nascido em Camocim, a 7 de agosto de 1901, não esqueceu suas origens, seu torrão, "Camocim, enamorada do mar", "onde o rio Coreaú, vindo das Cordilheiras da Ibiapaba, deságua, formando o porto do mesmo nome", em suas palavras saudosistas. Frota Aguiar, estudou em Escolas Primárias de Massapê, Sobral e Pacoti. Segundo ele próprio, chegou ao Rio de Janeiro, "no ano de 1916, com quinze anos incompletos"; aí fez os estudos preparatórios, no Colégio Pedro II (RJ) e bacharelou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, da Universidade do Brasil (Turma de 1929). Foi empregado no comércio, funcionário da Central do Brasil, a velha e memorável Central, ponto de congruência de tantos e tantos cearenses, naquela Cidade Maravilhosa que aos nordestinos acolhe, constituindo-se um modelo de brasilidade, ali todo o Brasil se encontra, por fim, foi Delegado de Polícia. Ingressou na política, elegendo-se seguidamente Vereador, Deputado Estadual e Federal pelo Rio de Janeiro. Foi Presidente do Instituto de Previdência do Estado do Rio e da Casa do Ceará, na antiga Capital do Brasil. Entre as entidades a que pertenceu, estão o Instituto dos Centenários, a Federação das Academias de Letras do Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa - ABI, Ordem dos Jornalistas do Brasil - OJB e Ordem dos Advogados do Brasil - OAB. Foi Titular da Cadeira de no 29 (Patrono: Júlio Ibiapina), da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro. Casou três vezes, sendo as últimas núpcias com a Sra. Maria de Jesus Rocha Pinto Aguiar.
Através do Decreto no 20.268, de 20 de julho de 2001, da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, foi reconhecido logradouro público da Cidade do Rio de Janeiro, a Rua Deputado Anésio Frota Aguiar, situada no Bairro Vila Valqueire, na XVI Região Administrativa - Jacarepaguá, imortalizando, assim, o filho de Camocim, que os cidadãos daquela Pátria chamada Rio de Janeiro fizeram "Cidadão Carioca", através do sufrágio popular, concedendo-lhe Mandatos Parlamentar, na qualidade de Vereador, Deputado Estadual e Deputado Federal. Ao fazê-lo Patrono de uma de suas Cadeiras, a Academia Camocinense de Letras - ACL, respeitando a tradição e a História, faz merecida homenagem a um homem, como já frisado, que logrou todos os êxitos e pode servir de exemplo a todos nós cearenses, que muitas vezes, por razões adversas às nossas vontades, deixamos nosso torrão natal e para outras terras partimos, especialmente as do Sudeste, procurando ganhar a vida e dar um alento melhor aos que aqui ficam. Por Frota Aguiar ter alcançado o ápice de seus anseios, podemos até querer dizer: deve ter sido fácil. Contudo, isto nos lembra uma música de Caetano Veloso, que diz: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". O próprio Frota Aguiar afirma:
Em todas essas vivendas, ora em pensões familiares, tão em uso no passado, ora em habitações de relativo conforto, testemunharam episódios que deixaram sinais patentes de lutas, mais positivos que negativos, nas escaladas que projetei, em busca da realização de meus ideais".
Frota Aguiar, nonagenário, emitiu para nós outros, seu último Canto do Cisne, enriquecendo nossa vida, nossos conhecimentos e lembrava saudoso de "... tantos companheiros em agitação, cada qual empunhando bandeiras de reivindicações, dominados sempre por paixões puras e corajosas, sujeitos a riscos perigosos, em prol de uma causa maior." Preparando-se para o "reencontro" que os longos anos inevitavelmente trazem, à mesma sorte a que estamos todos eleitos: o fim, ele diz em relação aos companheiros anteriormente citados: "... à beira do término do século, observo, e olho, não mais os vejo! O cenário já não é o mesmo. Sinto-me numa situação de estranho, de isolado. E eles, onde estarão? Os seus nomes, talvez, na História... ou nos santuários de seus familiares."
"A vida de um homem público, quase sempre, é sinuosa e acidentada, muitas vezes resvalando no plano inclinado da desilusão e do fracasso. Tal não aconteceu com o Dr. Anésio Frota Aguiar, cuja trajetória ascensional sempre foi pontilhada de grandes feitos que honram sua vida profissional, quer no exercício da vereança, quer no alto posto de Deputado Federal, sempre exercendo seus mandatos, com dignidade, honestidade, competência e altivez, mesmo contrariando interesses de poderosos e resistindo a todas as formas de pressões. Assim se manteve como espectador e partícipe de inúmeros episódios da vida nacional, como testemunha ocular da História para contar-nos na mais nítida expressão da verdade".
Anésio Frota Aguiar era um humanista, advogado, escritor e político e talvez se eu pudesse escolher um Patrono, na Terra de Pinto Martins e Raimundo Cela, optasse por ele. E o destino, nas mãos de Deus, vai pontilhando nossa trajetória, fazendo-nos lembrar as palavras do ator e dramaturgo inglês John James: "A história é uma linha de ônibus com paradas, mas sem plano de viagem". O Patrono, ensina-nos Aurélio Buarque de Holanda, é o "Escritor, artista ou cientista já falecido, sob a égide do qual estão as diversas cadeiras, nas academias e instituições congêneres." Na ALMECE - Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará, sou amparado pela minha cidade Guaraciaba do Norte, torrão natal que tanto amo. E a linha de ônibus da minha História pessoal fez uma parada em Camocim, a Cidade onde antes me deparei com o Mar - essa maravilha da Criação Divina - e graças a intervenção do Prof. Roberto Pires de Oliveira, propôs-me para a Cadeira de nº 23, Patroneada por Anésio Frota Aguiar e quanta honra a um principiante na advocacia e na literatura isto dá. Por ser Patrono da Cadeira de nº 23, da Academia Camocinense de Letras, que honrosamente ocupo desde 23 de março 2002, senti que o Capítulo 11 - de fechamento do seu "O Último Canto do Cisne" -, é não somente ao seu filho dirigido, mas a mim, seu patroneado e aos tantos advogados desta Terra Pátria:
"Conselho de um pai ao filho que se diploma
As orações do Patrono, da Paraninfa e do Orador da Turma, com críticas e protestos comedidos, salientaram uma realidade, a que vivemos. Evitaram os exageros, geralmente encomendados por demagogos irritantes. Nesta nova festa de sua existência, além de consciência moral que possui, há de adquirir a jurídica que lhe acarretará outras responsabilidades.
Eis o que eu tinha a escrever sobre esta ilustre personalidade, me fazendo recordar os dizeres do Mons. Arnóbio de Andrade, tão presentes em minha caminhada: "O importante não é só começar bem, mas terminar bem".
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