TRIBUTO A JORGE AMADO

 

Adeus, Capitão


Nas ruas
os meninos orfãos
erguem em preces
a voz - estão perdidos!

Assim se sentem os marinheiros,
as corajosas e sensuais mulatas,
os místicos nos seus terreiros,
os malfeitores, os bandidos.

E a andorinha e o gato malhado?
O cacau, o Carnaval, a Bahia?
O suor, o soldado apaixonado?
Que milagre lhes ditará sorte?

Oh! Capitão, meu Capitão
que das mornas areias
criaste um reino de poesia
e nos mares leste a morte...

Que farão todos agora
sem o tempero das tuas frases,
sem o suave embalo tropical
das histórias que ao Mundo deste?

Como viver hoje no luto
o gosto das palavras que,
amando,
Amado,
escreveste?


Helena de Sousa Freitas
Portugal, madrugada de 6 para 7 de Agosto de 2001

Helena de Sousa Freitas

Nos versos de Helena de Sousa Freitas, em nome de Literário On Line, ALMECE, Academia Camocinense de Letras,  um ultimo adeus ao Mestre Jorge Amado

 

 

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