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ALEGRIA
E TRISTEZA
Existem
momentos que, em nossas vidas, passamos grandes alegrias, tristezas ou
mesmo grande angústias que de uma forma ou de outra nos marcam.
Narrarei, nesta oportunidade, momentos que começaram sobre um grande
clima de euforia, mas que de repente, afunilou para umas horas que
deixaram profundas marcas em minha vida...
O
ano de 1995 corria célere. Tinha marcado o meu novo casamento com a
jovem Ana Margarida, bela normalista do Colégio Estadual Padre
Anchieta! Ana concordara feliz com o casamento apesar de deixar claro
algumas exigências: De início, queria que eu concordasse que não
teríamos filhos e em seguida, pediu-me alguns exames de saúde onde
figurava um teste sobre AIDS. Concordei com a bela moçoila! No
primeiro caso, sobre não ter filhos, acho que isto é um caso de
negociação do casal e mesmo que ela não colocasse um pé atrás,
futuramente, eu já possuía vários filhos de casamentos anteriores e
foi fácil acatar tal idéia. No caso dos testes de saúde, só havia
um problema: não tínhamos, em Camocim, recursos de laboratórios
capazes de atender os anseios da noiva. Detesto
ir à cidade grande,
mas como não havia outro jeito, viajei para Fortaleza e procurei o
HEMOCE, onde eu poderia doar sangue e ter, de graça, os resultados
desejados. Assim foi feito e após a colheita do material, marcaram os
resultados para quinze dias após. Retornei à Camocim para namorar um
pouco mais com a moça e trabalhar nas horas de folga, enquanto os
dias se passassem.
Dois
fins de semana depois, após muito namoro e algumas aulas de
computação, vejo-me novamente rumo à capital para buscar os
resultados dos exames o que não prometiam grandes novidades.
No
HEMOCE, ao chegar no balcão de atendimento, a jovem atendente, uma
morena bonita daquelas com seios grandes querendo saltar aos nossos
olhos, pegou o pequeno papel com alguns números que estava em minha
mão e afastou-se em direção a um fichário de metal do tipo
padrão. Rebuscou entre as gavetas e, por fim, veio de lá com uma
pequena pasta de papel na mão. Olhou bem nos meus olhos e disse: O Senhor
precisa conversar com a Dra... Fiquei lívido! Bem, as coisas
começaram a complicar! Fui lá para pegar o resultado dos exames e
não para falar com a Dra!!!
Em
meus pensamentos começaram um turbilhão de idéias a girar. A
atendente não deixou margem a novas perguntas, afastou-se com a minha
ficha nas mão e sumiu numa porta interna... Eu não conseguia
coordenar os pensamentos... De repente, tudo desabara sobre mim...
Pensei em Aninha. Pensei na lua de mel programada para uma viagem ao
Rio de Janeiro. Senti-me arrasado, sentado num daqueles bancos
horrorosos de espera em hospital. Foram os quinze minutos mais
sofridos da minha vida e, finalmente, fui interrompido pela chamada de
meu nome. Entrei no consultório e uma médica jovem com um óculos de
linhas elegantes olhou-me e perguntou: O Sr. está sentindo algo?
Balancei a cabeça negativamente e sentei em sua frente aguardando a
sentença: A Dra. começou a falar, olhando-me de forma profissional:
Os exames indicam que o Senhor já teve hepatite e há um acumulo de
anticorpos que poderão, num futuro distante, trazer-te alguns
problemas! Olhei-a nos olhos e disse: Quer dizer que não tenho AIDS.
Posso casar com Aninha???
-
Aids? Aninha?? Será que o Sr. pode ser mais claro?? Soprei, com
força, o ar dos pulmões, produzindo um ruído do tipo UFA!!! E um
sorriso crescia na face da Dra. à medida que eu ia contando as minhas
preocupações.
Os
anos não perdoam e, a despeito de meus protestos, passam
inexoravelmente! O casamento, a viajem de carro e a lua-de- mel no Rio
de Janeiro se concretizaram e hoje, cinco anos após, relembro estas
horas, às vezes amargas ou alegres, e repasso para vocês como quem transforma um limão em
limonada.
RPires
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