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DISCURSO
DE POSSE DO ACADÊMICO FRANCISCO LIMA FREITAS NA ACADEMIA
CAMOCINENSE DE LETRAS
Ó
Camocim, banhada pelas águas do Atlântico Sul!
Ao
contemplar a miragem dos teus mares verdejantes a embevecerem
meu ego, enternecedoras lembranças ressurgem dos inesquecíveis
dias da minha adolescência, mormente o balanço das praias com
murmúrios de seduções que tornava mais mística a insinuante
metrópole brasileira, meu Rio de Janeiro, toda revestida dos
mais singulares atrativos.
Deparam-se-me
a olhos vistos, os encantos que se me oferecem as belezas ímpares
da terra onde nasceu um dos mais formidáveis brasileiros, o
cearense Euclides Pinto Martins de cuja legendária figura
reportei-me há pouco neste modesto pronunciamento.
Antes,
porém, com o característico linguajar sertanejo, o
deslumbramento que permeia e projeta as plagas desta inefável
Camocim beneficiada com as inofuscantes paisagens multicoloridas
a oferecer-nos o canto mavioso de uma orquestração silvestre
no balançar das ondas envoltas de mistérios, onde as marés
terminam depositando o dócil ósculo do amor pujante.
És
um pedaço maravilhoso neste solo abençoado e inclemente do
Ceará, que ao receber o bálsamo redentor das chuvas,
reanima-se pela coragem indomável dos teus bravos filhos que não
se curvam ante a desdita da seca causticante, soerguendo-se para
embate com renovadas esperanças e redobradas energias,
objetivando colher no período de três meses, o fruto do seu
trabalho airoso e honrado que só o forte, personificado na
figura herculana do nosso valente sertanejo, é capaz de
consegui-lo ao renascer de um novo dia.
É
neste clima de uma invernada alegre e fagueira que recebo
jubilosamente, a púrpura de imortal da Academia Camocinense de
Letras. Foi com subida honra e inusitado orgulho que aceitei o
convite do notabilíssimo Presidente da ACL, o acadêmico
Roberto Pires para assumir a cadeira de número 22, que é
patroneada pelo insigne cearense, filho de Camocim, Euclides
Pinto Martins. Meu orgulho é justificado pelo significado
grandiloqüente de ser eleito sócio efetivo da jovem arcádia
camocinense, onde reluz o esplendor da eloqüência dos seus
retores num aconchegante e bucólico reino da suma sapiência
dos renomados corifeus da palavra escrita e falada, desta cidade
praiana.
Quisera
eu, captar fluidos das mentes revestidas da mais retumbante áurea
e transformar-me em um instrumento da oratória refulgente, para
no embalo de uma retórica cicerônica, tecer uma glorificadora
saudação: primeiro ao meu notável patrono de saudosa memória,
segundo a eira alcandorada beijada pelos “verdes mares”
destas paragens e, finalmente, saudar com as mais fluentes
palavras o mentor e presidente desta jovem, mas jactanciosa
Academia Camocinense de Letras, Roberto Pires.
Sou
um homem de origem humilde, porém, com têmpera de aço. Tenho
obsessão no desvelo pelas artes, daí minha paixão por elas.
Permitam-me
encerrar meu pronunciamento, com as seguintes palavras: o Brasil
pela sua extensão, pela sua riqueza, pela sua inteligência e
pela sua humanidade, é ainda a esperança do mundo, que as
“idéias loucas” devastam, bem viu o poeta genial, Castro
Alves, no grande símbolo de nossa bandeira, quando a decantou,
através dos versos em decassílabos, os mais lindos da
maravilhosa língua portuguesa:
“Auriverde
pendão de minha terra
Que
a brisa do Brasil beija e balança
Estandarte
que a luz do sol encerra
E
as promessas divinas da esperança...”
Francisco
Lima Freitas, em 23 de março de 2002
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