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PATRONA
Rachel de
Queiroz
Professora, Jornalista, Romancista, Cronista e Teatróloga.
Nasceu,
em Fortaleza, Capital do Ceará, em 17 de novembro de
1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin
de Queiroz, descende, pelo lado materno, da estirpe dos
Alencar, parente portanto do autor ilustre de “O
Guarani” e “Iracema”, José de Alencar, e, pelo
lado paterno, dos Queiroz, família de raízes
profundamente lançadas no Quixadá e Beberibe.
Foi
a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de
Letras. Eleita para a Cadeira de no 5, em 4
de agosto de 1977, na sucessão de Cândido Mota Filho,
foi recebida em 4 de novembro de 1977 pelo acadêmico
Adonias Filho.
Integra
o quadro de Sócios Efetivos da Academia Cearense de
Letras (ACL), é Sócia Honorária da Academia
Sobralense de Estudos e Letras da Academia de
Letras Municipalista do Estado do Ceará (ALMECE) . É
Sócia Efetiva e Patrona da Cadeira 15 da Academia
Camocinense de Letras-ACL.
Em
1917, Foi para o Rio de Janeiro, em companhia dos pais
que procuravam, nessa migração, fugir dos horrores da
terrível seca de 1915, que mais tarde a romancista iria
aproveitar como tema de O quinze, seu livro de estréia.
No Rio, a família Queiroz pouco se demorou, viajando
logo a seguir para Belém do Pará, onde residiu por
dois anos. Regressando a Fortaleza, Rachel de Queiroz
matriculou-se no Colégio da Imaculada Conceição, onde
fez o curso normal, diplomando-se em 1925, aos 15 anos
de idade, segundo ela mesma, seu único estudo regular.
Estreou
no jornalismo em 1927, com o pseudônimo de Rita de
Queluz, publicando uma carta ironizando o concurso
"Rainha dos Estudantes", promovido por aquela
publicação, no jornal “O Ceará”, de que se tornou
afinal redatora efetiva. Ali publicou poemas à maneira
modernista, cujos ecos do sul, da Semana de Arte Moderna
de 1922, chegavam a Fortaleza.
Três
anos depois, ironicamente, quando exercia as funções
de professora substituta de História no colégio onde
havia se formado, Rachel
foi eleita a "Rainha dos Estudantes".
Com a presença do Governador do Estado, a festa da
coroação tinha andamento quando chega a notícia do
assassinato de João Pessoa. Joga a coroa no chão e
deixa às pressas o local, com uma única explicação
"Sou repórter".
Em
fins de 1930, publicou o romance “O Quinze”, que
teve inesperada e funda repercussão no Rio e em São
Paulo, antes, publicou o folhetim “História de um
nome” — sobre as várias encarnações de uma tal
Rachel — e organizou
a página de literatura do jornal “O Ceará”.
Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária
do país, através do “O Quinze”, agitando a
bandeira do romance de fundo social, profundamente
realista na sua dramática exposição da luta secular
de um povo contra a miséria e a seca.
O
livro, editado às expensas da autora, apareceu em
modesta edição de mil exemplares, recebendo crítica
de Augusto Frederico Schmidt, Graça Aranha, Agripino
Grieco e Gastão Cruls. A consagração veio com o Prêmio
da Fundação Graça Aranha, que lhe foi concedido em
1931, ano de sua primeira distribuição oficial.
Em
1932, publicou um novo romance, intitulado João Miguel;
em 1937, retornou com Caminho de pedras. Dois anos
depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe d’
Oliveira, com o romance As três Marias.
No
Rio, onde reside desde 1939, colaborou no Diário de Notícias,
em O Cruzeiro e em O Jornal.
Cronista
emérita, publicou mais de duas mil crônicas, cuja
seleta propiciou a edição dos seguintes livros: A
donzela e a moura torta; 100 Crônicas escolhidas; O
brasileiro perplexo e O caçador de tatu.
Em 1950,
publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance
O galo de ouro. Tem duas peças de teatro, Lampião,
escrita em 1953, e A Beata Maria do Egito, de 1958,
laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional
do Livro, além de O Padrezinho Santo, peça que
escreveu para a televisão, ainda inédita em livro.
No
campo da literatura infantil, escreveu o livro O menino
mágico, a pedido de Lúcia Benedetti. O livro surgiu,
entretanto, das histórias que inventava para os netos.
Dentre as suas atividades, destaca-se também a de
tradutora, com cerca de quarenta volumes já vertidos
para o português.
O
presidente da República, Jânio Quadros, a convida para
ocupar o cargo de ministra da Educação, que é
recusado. Na época, justificando sua decisão,
teria dito: “Sou apenas jornalista e gostaria de
continuar sendo apenas jornalista.”
Foi
membro do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação,
em 1967, até sua extinção, em 1989. É membro do
Conselho Estadual de Cultura do Ceará.
Participou
da 21a Sessão da Assembléia Geral da ONU,
em 1966, onde serviu como delegada do Brasil,
trabalhando especialmente na Comissão dos Direitos do
Homem.
Em 1985,
foi inaugurada em Ramat-Gau, Tel Aviv (Israel), a creche
“Casa de Rachel de Queiroz”, sendo Rachel de
Queiroz, o único escritor brasileiro a contar com essa
honraria naquele País.
Colabora
semanalmente no Jornal O Povo, de Fortaleza e desde
1988, iniciou colaboração semanal no jornal O Estado
de S. Paulo e no Diário de Pernambuco.
Prêmios
outorgados (os principais):
1.
Prêmio Fundação Graça Aranha para O quinze,
1930;
2.
Prêmio
Sociedade Felipe d’ Oliveira para As Três Marias,
1939;
3.
Prêmio
Saci, de O Estado de São Paulo, para Lampião, 1954;
4.
Prêmio
Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo
conjunto de obra, 1957;
5.
Prêmio
Teatro, do Instituto Nacional do Livro, e Prêmio
Roberto Gomes, da Secretaria de Educação do Rio de
Janeiro, para A beata Maria do Egito, 1959;
6.
Prêmio
Jabuti de Literatura Infantil, da Câmara Brasileira do
Livro (São Paulo), para O menino mágico, 1969;
7.
Prêmio
Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de
obra em 1980;
8.
Título
de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do
Ceará, em 1981;
9.
Medalha Marechal Mascarenhas de Morais, em solenidade
realizada no Clube Militar, em 1983;
9.
Medalha Rio Branco, do Itamarati, 1985; Medalha
do Mérito Militar no grau de Grande Comendador, 1986;
10.
Medalha
da Inconfidência do Governo de Minas Gerais, 1989;
11.
Prêmio
Camões, o maior da Língua Portuguesa, 1993, sendo a
primeira mulher a recebê-lo;
12.
Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade
Estadual do Ceará – UECE, 1993;
13.
Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade
Vale do Acaraú, de
Sobral, em 1995;
14.
Prêmio Moinho Santista de Literatura, 1996,
dentre outros inúmeros prêmios e títulos.
15.
Título Doutor Honoris Causa da Universidade
Estadual do Rio de Janeiro, 2000.
16.
Medalha Boticário Ferreira, da Câmara Municipal
de Fortaleza, 2001.
17.
Troféu Cidade de Camocim em 20 de julho de 2001.
Obras Principais:
1.
O quinze, romance (1930);
2.
João Miguel, romance (1932);
3.
Caminho de pedras, romance (1937);
4.
As três Marias, romance (1939);
5.
A donzela e a moura torta, crônicas (1948);
6.
O galo de ouro, romance (folhetins na revista O
Cruzeiro, 1950);
7.
Lampião, teatro (1953);
8.
A beata Maria do Egito, teatro (1958);
9.
100 Crônicas escolhidas (1958);
10.
O
brasileiro perplexo, crônicas (1964);
11.
O caçador
de tatu, crônicas (1967);
12.
O
menino mágico, infanto-juvenil (1969);
13.
As
menininhas e outras crônicas (1976);
14.
O
jogador de sinuca e mais historinhas (1980);
15.
Cafute
e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986);
16.
Memorial
de Maria Moura, romance (1992);
17.
Nosso
Ceará (1997);
18.
Tantos
Anos (1998). Os dois últimos em parceria com sua irmã
Maria Luiza de Queiroz Salek;
19.
O
Não Me Deixes – Sua História e sua cozinha.
Obras reunidas de ficção:
1.
Três romances (1948);
2.
Quatro romances (1960).
1.
Seleta, seleção de Paulo Rónai; notas e
estudos de Renato Cordeiro Gomes (1973).
Sua
obra foi objeto de inúmeros estudos e teses. Morando no
Rio de Janeiro, mantém apartamento em Fortaleza e a
Fazenda Não Me Deixes, em Quixadá, sua grande paixão.
Seu apartamento no Rio foi equipado com móveis levados
do Ceará.
Nota:
Os
dados de Rachel de Queiroz foram obtidos em livros de e
sobre a autora, sites da Internet, jornais e revistas de
circulação nacional.
Pesquisa:
José
Luís Araújo Lira.
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